Após quatro (dos cinco) dias visitando o BIG, o mais importante festival de jogos independentes da América Latina, que aconteceu entre os dias 26 e 30 de junho de 2019, em São Paulo, tive uma enorme sensação de arrependimento. Arrependimento por não ter comparecido ao evento nos anos anteriores, pois sinto que subestimei sua relevância e invejável organização.

Propositadamente, comecei esse texto com uma frase que poderia soar depreciativa e, até certo ponto, sensacionalista. A ideia foi exatamente chamar atenção para o quanto formulamos prévios juízos de valor.

Há um bom tempo, os jogos indies deixaram de ser apenas soluções paliativas para as “entressafras” dos lançamentos multimilionários, os chamados triple A. Hoje, consolidados como um segmento de mercado altamente rentável e respeitado, esses títulos transbordam criatividade e excelência técnica, trazendo novas vanguardas à indústria de games. Um sopro de renovação em meio ao vasto oceano de padrões repetidos ciclicamente.

É necessário lembrar que os quesitos tecnológicos são extremamente importantes, porém, no fim, o mais admirável é ver o quanto cada desenvolvedor deposita sua alma e coração em cada trabalho, celebrando até as menores vitórias. Quem me conhece um pouco sabe o quanto a paixão por um projeto ou ofício é tão importante para mim. O sentimento por uma causa é o que me move e sustenta.

Além disso, creio que senso de propósito e fidelidade aos próprios princípios são essenciais. Felizmente, não tive nenhuma dificuldade em enxergar isso nos olhos de cada expositor ou palestrante. Impossível não se comover diante de pessoas que se doam em prol de um objetivo maior.

Na parte expositiva, além de um saguão que abrigava diversos títulos, dispostos para serem apreciados pelo público, tínhamos também auditórios onde profissionais, de diferentes países e vertentes, trouxeram peculiares visões sobre assuntos de interesse geral aos participantes.

Nesses encontros, mediados por interlocutores, diversidade era a palavra de ordem, aspecto que o BIG conseguiu abraçar com maestria, indo desde a parte de negócios como monetização, engajamento de jogadores, estratégias de marketing e mercado de trabalho, até assuntos mais íntimos e delicados como depressão, relações familiares e a causa LGBT.

Provavelmente, o tema mais importante abordado foi o “Communication Gap”, algo que pode ser traduzido como lacuna comunicacional, uma teoria formulada para sistematizar e discorrer sobre os principais motivos pelos quais as relações interpessoais fracassam. Sem dúvida, uma ferramenta indispensável para mitigarmos conflitos, mágoas e preconceitos. Nosso futuro como seres humanos só será salvo através da compreensão dos temores, anseios e dores alheios.

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