Muitos jogadores, que viveram a década de 90, lembram da versão do Gradius III,  para SNES. O game foi destaque em diversas revistas, apresentando sprites enormes e coloridos, sendo considerado um espetáculo para ser visto, comparável ao original do arcade, de 1989.

Porém, em situações com mais inimigos na tela, processamento ficava mais lento, o que tornava a jogatina mais complicada.

O brasileiro Vitor Vilela corrigiu esse erro, de quase três décadas, fazendo uma alteração na ROM do jogo. Com isso, foi criado uma nova versão, sem lentidão, para jogar em emuladores do SNES e no hardware original. A chave para o sucesso de Vilela foi o chip SA-1, um coprocessador que foi encontrado em alguns cartuchos SNES, como Super Mario RPG e Kirby Super Star.

Além de ostentar uma velocidade maior de clock, em relação a CPU padrão do SNES (até 10.74 Mhz contra 3.58 Mhz, respectivamente), o SA-1 também abre funções matemáticas mais rápidas, manipulação gráfica aprimorada e recursos de processamento paralelo para programadores de SNES.

Vilela trabalhou meses com o desenvolvimento SA-1 e com modernas ferramentas de desenvolvimento para documentar o funcionamento interno e os mapeamentos do chip. Vilela disse que o trabalho no Gradius III agora pode ser considerado “estável”.

Ao contrário dos chips especiais, como o bem conhecido Super FX, o SA-1 tem a mesma arquitetura que o núcleo do CPU SNES, o que torna o código de portabilidade, desenvolvido para o sistema, mais simples. Mas isso não significa que você pode simplesmente adicionar o chip a qualquer ROM do jogo e obter um aumento instantâneo de velocidade. Vilela explica que foram necessários “três meses de pesquisa, desmontagem, análise de código, remapeamento de memória e edição de código” para chegar a esse ponto.

O pacote “muda a maioria das estruturas de dados e ponteiros, além de criar um sistema intermediário que usa o SA-1 para a maioria das rotinas intensivas e o SNES para as rotinas de interação PPU/APU e V-blank.” O resultado foi uma versão do Gradius III que, segundo Vilela, funciona duas a três vezes mais rápido que o original.

Agora, o jogo também mantém sua taxa de quadros mais suave, não importando quantos sprites detalhados estejam na tela e o quanto ocupam da cena. Isso acontece até mesmo na famosa fase repleta de bolhas, do estágio 2, que é transformada de um slide show, a uma incrível demonstração do poder aprimorado do SNES.

Como se isso não fosse suficiente, o pacote até reduz o tempo de carregamento do jogo, acelerando, em 3 segundos, a animação inicial, consideravelmente lenta.

Embora impressionante, do ponto de vista técnico, esse aumento de velocidade pode ser um problema. Vilela observa que a falta de lentidão “torna o jogo incrivelmente superdifícil”.

O hardware original do SNES supostamente não tem nenhum problema com o Gradius III compatível com SA-1 , mesmo quando executado através de uma ferramenta como o SD2SNES ou Everdrive.

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