Era início dos anos 90, não me lembro precisamente a data, mas eu tinha meu Master System e estava feliz da vida com ele. Foi um presente da minha mãe.

Jamais esqueci aquela cena dela chegando de uma viagem para Manaus, segurando-o pela alça, que vinha na caixa do primeiro modelo. Já até contei isso na revista WarpZone Crônicas Especial Dia das Mães.

O INÍCIO DE UMA PAIXÃO

Eu gostava demais do meu Master e todos sabem que ele é meu videogame favorito até hoje. Contudo, nunca fui tão radical a ponto de ignorar a concorrência, no caso, o Nintendinho.

Pelo contrário, eu não perdia uma oportunidade sequer de jogar na casa dos amigos que tinham algum clone de NES, como o Phanton System ou o Turbo Game. Foram muitas horas de jogatina de DuckTales, Tico e Teco, Battletoads, entre vários outros. 

Yo! Noid

QUERO MAIS

No embalo dessas jogatinas, comecei a querer um clone desses para mim, mas já sabia que era uma missão, quase impossível. Afinal, já ganhara o Master e imaginava que minha mãe não me presentearia com um novo console dessa mesma geração.

Mesmo assim, criei coragem e chamei a velha na prosa:

__ Mãe, existe um outro videogame, é o Nintendinho. Eu gosto muito dele também. Me dá um?

A resposta, com aquele olhar de um lobo prestes a atacar, entrou na minha mente como uma flecha:

__TÁ FICANDO LOUCO MENINO? VOCÊ JÁ GANHOU UM VIDEOGAME E ELE TÁ QUASE NOVO! ESQUECE E APROVEITA ENQUANTO NÃO DOU O QUE VOCÊ TEM PARA OS OUTROS!

Como dizem por aí, a esperança é a última que morre e eu, sinceramente, achei que a minha tinha sido até sepultada nesse mesmo instante.

E AGORA, O QUE EU FAÇO?

Porém, numa bela tarde de algum dia de semana, que não me lembro também, eu passeava pelo centro de Anápolis/GO, onde eu morava na época, e parei para observar alguns jogos na vitrine de uma loja – olha a novidade, não me lembro o nome – e vi, pela primeira vez um Hi-Top Game.

De cara, três coisas me chamaram a atenção: seus quatro lindos e enormes botões amarelos no corpo do console, o jogo que o acompanhava, Futebol Times do Brasil, da Milmar – que para mim, foi o primeiro jogo de futebol com times brasileiros da história (falo dele na WarpZone Digital Especial Futebol). E, por último, e mais importante, o seu preço. Bem mais barato que seus concorrentes.

Fiquei em dúvida que videogame era aquele, mas o formato do cartucho de 72 pinos para NES era familiar. Transformei isso em certeza ao perguntar a um vendedor, que me atendeu com aquele mesmo olhar de desprezo de quem olha um cocô de cachorro na rua. Realmente era um novo, pelo menos para mim, clone de NES. Ressalto que essa história de clone veio depois. Na época eu falava Nintendinho para todos eles mesmo.

Fui para casa jogar Master, mas o Hi-Top Game não saía da cabeça. Foram cálculos e mais cálculos, vontade daqui… querência de lá… Finalmente, decidi que já que não ganharia um, ele seria o primeiro videogame que eu compraria – com meu próprio dinheiro.

Mas, como um menino no auge dos seus 13 anos faria para comprar um console, por mais barato que fosse? Ainda não sabia a resposta, mas sabia o que queria e tentaria com todas as forças.

O primeiro passo foi dado, perguntar a minha mãe o que aconteceria se eu juntasse grana e comprasse o outro videogame. Como ela disse que ficaria feliz em me ver correr atrás do que queria, disse que poderia ficar com os dois videogames.

Modelo de Hi-Top Game. O mesmo que comprei na época

MÃOS À OBRA

Passei então, a juntar todo centavo que passava na minha mão. O troco do pão já não virava mais ficha de fliperama, a preguiça para lavar o banheiro virou vontade de trabalhar, como um louco, para ganhar um troco. Mas ainda era insuficiente para chegar ao valor desejado.

Decidi que era hora de partir para algo mais contundente, ou seja, trabalhar para juntar esse dinheiro mais rápido. Mas em que eu poderia trabalhar? A resposta veio em forma de picolé. Perto de casa tinha uma fábrica de picolé e fui lá pedir para vender num dos seus carrinhos.

Naquela época, as coisas eram diferentes e o dono nem perguntou se eu tinha autorização dos meus pais. Combinamos que eu viria toda tarde e assim foi até que eu consegui, finalmente, juntar a quantia necessária. Acho que minha mãe até hoje não sabe que tive esse emprego.

Dinheiro suficiente em caixa, chamei meu Tio Betão para ir comigo na loja, já que ele tinha mais tempo que minha mãe durante o expediente. Voltei naquela mesma loja e fiz questão de procurar outro vendedor que não fosse o que me desprezou. Paguei em dinheiro vivo e acredito que meu tio conseguiu um “descontinho”.

Alguns itens da minha coleção da Milmar

SURGE UMA SEGUNDA PAIXÃO

Voltei para casa em êxtase, mas quem não ficaria? Consegui comprar o videogame com meu suado dinheirinho. Mal abri a porta e corri para meu quarto para instala-lo, junto do Master, na minha TV de 14 polegadas.

Foram dias muito felizes revezando entre jogar Futebol, com times do Brasil, e os vários jogos de Master System que já tinha. Exceto pelos finais de semana, que tinha direito de alugar uma fita na locadora e daí para frente, seriam vários fins de semana de Nintendinho.

E assim, surgiu minha segunda paixão no mundo dos games, o Hi-Top Game. Hoje mantenho alguns na coleção, inclusive de outros modelos diferentes do que tive na época.

Em uma outra oportunidade contarei de umas férias nas quais meu irmão e eu fechamos com o dono de uma videolocadora para ficarmos com uns 6 jogos de NES e outros 6 de Master, entre eles, Friday The 13th, aguardem.

Neste meio tempo, continuem acompanhando o Antiquário Master.

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