Olá amigos leitores da WarpZone! É com muito prazer que nós, do blog/canal do YouTube Minicastle, vamos nos apresentar a vocês. Atualmente, o nosso projeto é mantido basicamente por duas pessoas: Junião e Marcel.

Esse texto contará um pouco sobre a história dessas duas figuras, bem como sua relação com games, desde o início até onde decidiram expor ao mundo suas experiências relacionadas aos jogos eletrônicos.

Começando pelo fundador e idealizador do blog. O homem que começou, em forma de texto, uma história fantástica no mundo gamer: Marcel.

Marcel

Em primeiro lugar não posso esquecer de dizer que é uma honra, para a equipe do Minicastle, ser convidada a escrever para a WarpZone. Em segundo lugar, tenho que falar um pouco sobre o Marcel e a história dele com o Mini.

Essa segunda… é difícil, pois escrever sobre si mesmo tende a não ser uma tarefa muito simples. Afinal, o que dizer e o que não dizer? Seria engraçado ou maçante falar do detalhe sobre minha busca, absurda, por Landstalker? E aquele pormenor icônico para conseguir uma versão 1.0 Playtronic de Zelda Ocarina of Time? Para mim foi incrível. Mas, será que eu não soaria como aquele vovô contando “histórias de glória” enquanto um neto diz “uhum… uhum… uhum…”?

Meu nome é Marcel, e, do alto dos meus (jovens?) 38 anos, eu tenho uma esposa maravilhosa, uma princesinha canina cega, surda e superbem humorada. Como nos contos de fadas, também há um príncipe, canino, bonachão e fã de moças (É sério! Ele tem problemas em lidar com homens…). Além dos caninos, minha esposa e eu também dividimos o apartamento com um ser felino. O relacionamento dele comigo é, mais ou menos, o mesmo entre o Batman e o Superman – um respeito distante mútuo.

Eu adoro games, ler, namorar e fazer vídeos para o Mini. Eu detesto lavar a louça, editar vídeos e coisas com “mau-contato”. Se você é parte dos 2,3 bilhões de pessoas que acreditam em signos, eu sou de gêmeos. Espero que isso tenha lhe dado mais informações do que deu a mim, durante toda a minha vida. Para constar, eu não acredito no efeito de enorme bolas de gás, estourando a milhões de quilômetros da terra, no comportamento humano. Mas, eu acredito, ademais toda a prova científica no contrário, que meu gato entende tudo que eu digo e age no exato sentido contrário, única e exclusivamente, para me irritar. Ou seja, as pessoas têm direito de acreditar no que bem desejam.

Minha história com games começou em 1986 quando uma tia me trouxe um NES. Vocês devem estar pensando “Nossa… um cara que estuda história dos consoles não jogou o Odissey ou o Atari? Que falha horrível”. Eu já ouvi essa. E, sim… eu joguei Atari, Telejogo e Odissey, antes do NES. Também usei MSX, bem como outros computadores antes dele. Entenda o termo “usar” no sentido… alguém digitou algo e uma sucessão de coisas coloridas e que davam para controlar surgiu na tela. Posso estar errado, mas não acho que ninguém usa um computador com menos de 6 anos.

Eu tive Super Mario Bros, Zelda, Mega Mans diversos e aluguei uma quantidade colossal de jogos, a maior parte deles bem pior, objetivamente, do que eu me lembro. O quadro Sábado Retrô, do MiniCastle, dão essa incrível oportunidade de rejogar, com uma visão adulta, algo que tive contato quando criança. Eu pulei Super Mario 2, aterrissei em Super Mario 3 e continuei fiel ao NES, mesmo diante do, mais poderoso, Mega Drive, que havia chegado ao meu lar como cortesia do meu irmãozinho (que pediu no “niver” dele).

Não posso dizer que foi uma resistência completa ou duradoura. |Essa resistência foi como aquele aluno que era escolhido por último para compor um time de futebol durante as aulas de educação física. Para ser ainda mais exato, seria um aluno que é enviado para mimeografar alguma coisa na hora da escolha dos times. De preferência em outro continente.

O fato é que o Mega Drive, pelo menos de início, não tinha tantos jogos que eu considerava divertidos. Mas, em poucos anos, o 16 bit da SEGA começou a entregar um jogo melhor que o outro e isso começou a tomar cada vez do meu tempo com o NES. No entanto, o Super Nintendo estava a caminho.

Ter um SNES, para muitos, significava a evolução natural de ter um NES. E eu queria um. Minha mãe, no entanto, sempre achou que tínhamos que doar o videogame anterior para receber outro – algo que, profundamente, me incomodava a época. “Você tem que dividir com o menos afortunados que você” dizia ela. Não que eu tivesse muita escolha né? Mas, o que ela não contava era que eu esconderia alguns jogos de NES.

Com o SNES comprado, lá se foi meu NES embora. Não, eu não tinha um segundo NES. Não, eu não comprei um novo NES por quase 20 anos. Não, eu não faço a menor ideia do porquê meu eu de 11 ou 12 anos escondeu 3 cartuchos de NES e achou que isso era uma boa ideia.

O SNES foi incrível! Meu irmão e eu tínhamos essa oportunidade de ter os dois sistemas (SEGA e Nintendo) na sala e a guerra dos 16 bits não nos pegou tão intensamente quanto a dos 8 bits. Eu odiava os donos de Master que tinham propaganda na TV e compravam jogos nas Lojas Americanas. O Mode 7 dividiu espaço com Shinobi, Final Fight 3 bateu de frente com Streets of Rage 3, Star Fox dividiu o armário com Virtua Racing (e tenho ambos ainda). Foi um período incrível, com amigos de escola e eu fundando um jornalzinho para escrever sobre video-games e novidades.

Uma pena que 1995 chegou…Meu irmão e eu estávamos divididos: Confiávamos na Nintendo, mas ela não tinha nenhum console vindo. O Saturn parecia incrível… mas as fotos e vídeos do Playstation eram simplesmente animais. A Sony não era uma produtora de consoles… em quem confiar nosso rico dinheirinho?

Toshiden e Wipeout foram as moedas de desempate. Entramos numa loja de games e lá estavam os dois rolando, na versão japa do console. E a discussão acabou ali mesmo – o PS1 entraria na nossa casa, sob pena de que um dos outros sistemas teria que sair: Teríamos que doar o Mega Drive ou SNES. Enrolamos a discussão sobre qual seria doado por muito tempo. Tanto tempo que, de fato, o SNES só foi doado em 2001, para um grande amigo meu, chamado Lord Kao, que tem uma paixão absurda por JRPGs retrô.

Por fim, eu fui fazer meu intercâmbio e, enquanto estava fora, mandei para meu irmão um Nintendo 64, com a certeza que o jogaria quando voltasse para o Brasil. Voltei, terminei Super Mario 64 e The Legend of Zelda: Ocarina of Time, antes de me mudar para Campinas.

Já no novo lar, com meu SNES, o Mega Drive e um desktop (aqueles computadores grandes que as pessoas, de mais de 25 anos, insistem em comprar). Os videogames mais modernos ficaram na casa dos meus pais. Mas, quando 2000 chegou, meu irmão e eu voltamos a juntar forças e pensamentos. Nós precisávamos de um Playstation 2, ainda que ele ficasse na casa dos meus pais. Além dos jogos previstos parecerem incríveis, ele rodava os games do Playstation 1. A outra opção era comprar um Dreamcast…O que… depois do Saturn… não faríamos nem sob decreto.

O segundo console da Sony veio e eu o usei pouquíssimo. Havia 350 Km entre eu e ele, o que não é minha definição de “ir ali na esquina”. Em 2001, eu comprei o novo videogame da Nintendo, ainda no lançamento – o Game Cube. Mas sua completa ausência de Metal Gears e jogos de Samurai fizeram com que meu irmão ficasse distante dele. No mesmo ano, devido a um acordo com a namorada da época, eu coloquei a mão em um Xbox clássico.

A namorada virou esposa, a esposa virou ex-esposa, o Xbox continuou na minha sala.

Em 2002, eu fui trampar com games no maior shopping da América Latina. Eu fiquei nesse emprego do dia em que o Shopping abriu as portas até o dia no qual eu fui chamado para o meu atual emprego.

Foi legal. Um tanto sinistro… mas legal. Por que Sinistro? Imagine trabalhar numa loja de games, em Campinas, em um super shopping cheio de novidades”. Yeap. Mas, encarar os pais, no dia 24 de dezembro, faltando 35 minutos para o shopping fechar e dizer “Eu não tenho nenhum GBA senhor. De nenhum tipo”…Tenho sorte de ainda ter os rins.

Em algum momento de 2004, o Fabão (Mahou) veio para mim e disse: Ei… sabemos pacas de games. Por que não escrevemos um blog?” E eu respondi “Demorou”.

Nascia o Minicastle.org

Em 2005, eu ganhei um Playstation 2 (e pude finalmente jogar o que ainda não havia jogado). Em 2006, eu comprei meu Wii, no lançamento. E quase perdi o braço naquela semana. É serio… minha ex-esposa e o Fabão tiveram que ir ao hospital e eu fiquei com o ombro paralisado, devido ao uso excessivo do Wii, nas semanas posteriores ao lançamento. Games como Wii Sports, Zelda, Red Steel e Excite Trucks acabaram com nossas raças.

Enquanto isso, o Mini já estava tendo testemunhas. Eu escrevia duas a três vezes por semana, minha ex, uma vez, o Fabão, quando ele conseguia. De início, só cobríamos Nintendo, o que mudou em 2008. Isso, porque, em 2007, eu comprei um Microsoft Xbox 360.

“Comprei”, na verdade, é um termo errado para esse momento. O vendedor tinha sido meu chefe. Ele me ligou e falou “Eu tenho um Xbox 360. Novo. Dos que não queimam. Venha buscar”. Foi a venda mais fácil que ele fez na vida.

Depois disso, eu passei a dividir bem meu tempo entre o Wii e o 360. Minha ex o abominava (ela dizia que ele parecia um videocassete). Acredito que eu e o Fabão só tivemos braços funcionais, em 2017, graças ao 360. Assim, como estávamos jogando muito, começamos a fazer reviews. Durante este período, eu tive meu primeiro conflito, 3 Red Lights (3RL) – as luzes vermelhas da morte. Levei para a manutenção e, após 81 dias de consertado, nova 3RL. Desisti e troquei então por um novo…durou menos de 4 meses.

Sim, eu jogava para caramba. Não, ele era desbloqueado. Não, eu não tinha gato. Sim, ele era bem refrigerado. Meu ex-chefe trocou novamente e falou que não poderia dar mais cobertura gratuita para aquele aparelho. O último que ele me dera era um elite, preto, lindão. Durou até que bastante. Sucumbiu como um guerreiro, mas durante uma partida de Gears of War 2, ele travou, e quando eu resetei, me vieram as 3 luzes. Fabão e eu providenciamos, por fim, o melhor destino possível aquele Xbox. Ele foi rebatizado e desbloqueado, durando mais um ano.

Nesse meio tempo eu tinha comprado um Xbox bloqueado (medo de perder a conta é algo muito real quando você tem coisas compradas nela), do modelo slim que caminha comigo até os dias de hoje. Eu também tinha comprado um Playstation 3 por insistência da EX (e vontade de jogar Metal Gear Solid 4).

Enquanto isso, o Mini crescia e se tornava (como hoje ainda é) a minha terapia. Quando o PS3 queimou, eu fiz um dos primeiros vídeos do canal “reclamando muito no twitter” sobre o assunto. Se a Sony, um dia, chegou a ver minhas reclamações em rede social, não se importou, ou achou melhor não me dizer nada sobre o assunto. Eu comprei outro PS3, no qual apareceu luz amarela… comprei outro. Esse sim, está comigo até hoje.

Em 2011, uma mudança gigante sacudiu a empresa na qual eu trabalho e eu sofri um revés, ou a sorte (talvez), de ter que criar asas e sair da minha zona de conforto. Eu já havia mudado de departamento 2 vezes até aquele momento… e agora iria para um lugar conturbado e enorme. Na hora do meu almoço eu costumava jogava meu 3DS, que tinha acabado de chegar. Um dia, um rapaz chegou e disse:

__Com licença. Isso é um 3DS

__Sim… tu curte games? Disse eu

Ele sorriu e disse: Se eu curto games? Rapaz…

Esse cara era o Junião. Nós trabalhávamos no mesmo prédio, mas não no mesmo departamento. Depois, passamos a trabalhar no mesmo departamento… e momentos depois, não mais… e agora não trabalhamos nem mesmo no mesmo CEP.

Foi o início de uma super mega ultra amizade com esse super mega ultra ser humano. O cara é um poço de educação, um poço de cultura e um dos colecionadores de videogames mais humildes e acessíveis que eu conheço (e eu conheço uma penca deles). Ele tem um coração de ouro e vai falar, na sua cara, exatamente o que está incomodando sobre cada situação. Foi uma amizade tão bacana que ele foi a terceira pessoa a saber do meu divórcio (depois dos meus padrinhos de casamento… porque eu tinha que impedir que eles matassem minha ex).

Ele tinha o Another Castle. Eu tinha o Minicastle. Ele tinha o site da coleção. Eu tinha o Minicastle. Ele tinha o projeto do Streetfighter.com.br, eu tinha… vocês entenderam.

Em 2011, com a ajuda do Junião, eu comecei a fazer alguns vídeos para o Mini. Em 2012, eu me divorciei. Eu expliquei para ele que sem minha ex ia ficar complicado carregar o site com informações. Ele me disse que sabia como era a situação e falou que tinha um problema semelhante com o streetfighter.com.br. Fizemos um acordo de cavalheiros – eu ajudaria ele a carregar o piano dele e ele me ajudava a carregar o meu.

Os vídeos foram ficando melhores. O WiiU veio em 2012. Em 2013, veio a nova geração e eu optei por comprar um computador. O computador ajudaria a melhorar os vídeos e eu menti, para mim mesmo, que poderia tentar jogar tudo no PC (que mentirinha mais deslavada).

Por fim, quando percebi que não conseguiria jogar no PC, comprei um PS4. Minha namorada, da época, que tinha acabado de vir morar comigo, me deu um Xbox One.

Não…ela não joga. Sim…ela comprou no amor mesmo. Não…não tenho outra dessas no bolso.

E assim, como a nova geração foi melhorando, também os vídeos no Mini foram melhorando. Melhor texto. Melhor edição. Assuntos mais técnicos. Ajudando a galera como podíamos.

E hoje, em 2019, podemos dizer que deu certo?

Não é o tamanho que realmente queríamos (assim como nossas coleções), mas, saber que é formado por um grupo de gente tão legal e acompanhado por um pessoal tão bacana… vale todo o trampo.

Que venham mais gerações de consoles. E venham mais anos de Minicastle.

E pelo menos mais uns 50 anos de Marcel, porque tem coisas pacas que eu ainda preciso fazer pelo mundo. Vamos nessa!

Seguido pelo integrante que idealizou e participou ativamente na revolução do Mini, onde passamos de texto a vídeo.

Junião

O que falar do Junião? Uma pessoa do bem, casado, nascido e criado no interior paulista. 37 anos de idade. Pai de um sujeito peludo de 4 patas (Solaire of Astora, o gato). Bancário, jogador e colecionador de videogames nas horas vagas. Começou a sua relação com os joguinhos bem cedo.

Seu primeiro console foi um Atari 2600 que ganhou em 1985, antes de completar 4 anos de idade. Muitos de vocês estão se perguntando que sentido fez uma pessoa ganhar um console de videogame tão cedo assim. Eu explico: Minha mãe com muito sacrifício, vez um crediário na finada loja Mesbla para poder comprar o tão sonhado e desejado por muitos, Atari 2600 da Polyvox, naquela altura.

Indagando minha mãe do porque entregar uma peça tão cara a uma criança, ela explicou: “Eu não suportava mais ver o Junior com vontade de jogar. Quando íamos na casa de alguém que tinha o Atari, ele nunca podia jogar. Ninguém queria dar o controle de uma coisa tão cara a uma criança de 3/4 anos de idade. Foi então que eu resolvi me apertar financeiramente e comprar o videogame.”

Sorte minha ter uma mãe tão determinada a fazer uma vontade minha enquanto ainda tão jovem. Falo de minha mãe mas não posso deixar de mencionar meu pai, meu herói, que obviamente abraçou o carnê de pagamento para satisfazer uma vontade do pequenino aspirante a jogador. Mal eles podiam prever que aquele gosto de criança se tornou constante. Os anos passaram e a paixão pelos jogos eletrônicos só aumentava. Aquilo foi o começo de algo grandioso. Nossa relação com os videogames vai muito além de uma diversão eletrônica.

Aquilo se tornou um hobby muito praticado. Basicamente uma forma de se relacionar socialmente durante a infância e quando adolescente, muito mais que isso. Acabei me tornando um criador de conteúdo sobre videogames na internet já em 1998, quando a internet no Brasil engatinhava e nós nos vangloriávamos com nossas “super conexões” discadas a 57kbps (quem começou a navegar com “dial up” vai derramar uma micro lágrima agora). Eu não vou entrar em detalhes sobre isso agora mas ainda darei um pitaco mais adiante sobre isso, só para contextualizar!

Muita água passou por debaixo da ponte depois do Atari, com toda certeza! Aquele que foi a coqueluche no Brasil em meados dos anos 1980 até o final da mesma década já não era mais suficiente em 1989. Quando estava cursando a primeira série do ensino fundamental (hoje a nomenclatura é outra, já sou um senhor maduro em 2019) eu só escutava dois nomes que me importavam. Seja na hora do recreio ou na hora da viagem de ida ou volta na perua escolar, esses dois nomes faziam um festival na minha cabeça. Hoje dois senhores, dois mestres, dois sistemas, dois avôs; Phantom e Master System!

Certo! Enquanto eu ainda estava sugando cada gota de diversão no meu Atari e já começando a achar que aquilo estava datado. Era necessário algo mais, não conseguia mais me satisfazer com uma alavanca e um botão vermelho. Era preciso dar um passo adiante. Os “bips e blops” digitais do Atari já não eram mais suficientes! Conversas sobre “Super Irmãos” e “R-Type” aguçavam o desejo daquele projeto de pessoa, ainda pouco cascudo e com uma grande jornada pela frente!

O Master System e o Phantom System eram tão tecnologicamente superiores e seus jogos eram tão mais bonitos, mais belos, mais divertidos e com um mundo de possibilidades além do Atari, tecnologia lançada em 1977 (segunda geração de videogames). Foi então quando que eu comecei a martelar minha mãe e meu pai sobre o tão maravilhoso Master System. Eu poderia ter pendido para o Phantom mas creio que as propagandas massivas da TecToy, principalmente na televisão, me venderam o Master ao invés do Phantom.

A exemplo do que aconteceu com o Atari, minha mãe mais uma vez se sacrificou para comprar o tão sonhado videogame da TecToy. Aquela maravilha tecnológica com gráficos de tirar o chapéu. Pensem no contexto de 1990, onde tudo o que eu tinha era o Atari e finalmente consegui o tão sonhado presente de natal daquele ano.

Não foi somente o natal, três datas comemorativas, dia das crianças, aniversário e natal! Três datas em três meses subsequentes. Que felicidade, que alegria! O Master System com certeza é o videogame do meu coração. Não somente por ter me proporcionado incontáveis horas de diversão e de ter feito a minha infância muito mais feliz. Não apenas por isso senhoras e senhores. Também porque foi o primeiro videogame que eu lembro de ter pedido para os meus pais e de ter criado uma expectativa gostosa em cima dele.

Afinal de contas, com o Atari eu era muito jovem e mal lembro dos eventos que o precederam. Eu já disse isso em vídeo algumas vezes e escrevo a vocês agora: O momento mais marcante da minha infância, o qual eu nunca vou esquecer, foi no dia que ganhei o Master System! A imagem de minha mãe subindo a escadaria aqui do prédio com meu irmão no colo e a sacola da Mesbla no outro braço, dentro da sacola aquela caixa grande branca e quadriculada. Não consigo nem escrever isso sem lacrimejar. Estou ficando velho e emotivo, não reparem se resquícios de lágrimas estiverem em vossos teclados agora!

Mas a vida da gente não se resume aos 8 bits não é mesmo? Um pouco adiante, assim que um certo ouriço azul super veloz veio ao mundo, os 8 bits já não eram o bastante e agora era a vez dos 16 bits. Começando com aquele que foi um dos melhores sistemas de videogame de todos os tempos, que teve um senhor rival, digno de seu esplendor, também 16 bits só que da marca concorrente, foi o responsável pela diversão da casa por anos a fio.

Agora eu tinha um segundo jogador. Meu “player 2” é quatro anos mais jovem que eu e assim será para sempre, ainda que hoje já tenha me passado alguns centímetros em estatura. Meu irmãozão Daniel, meu rival. o Ken Masters de meu Ryu Hoshi, hoje pai do pequeno Matheus (sim, eu sou literalmente um tiozão).

Em suma, tivemos o melhor dos 16 bits em casa. 1991 colocamos na conta de Sonic the Hegdehog e 1992 colocamos na conta de um joguinho aí qualquer. Coisa pouca, um tal de Street Fighter II. Enquanto que o Mega Drive veio com Sonic e Moonwalker (bootleg, alternativo, pirata, escolham um termo) o Super Nintendo veio com Street Fighter II (motivo da compra) e o cartucho original (hoje “raro”): Super Mario World. E assim pudemos aproveitar o melhor de dois mundos. Sega e Nintendo na palma das mãos foi para poucos. Considero-me privilegiado por isso, sempre!

Mas aí chegou a quinta geração e a traumática transição dos jogos 2D em sprites para os 3D em polígonos. E agora José? Eu poderia ficar laudas e mais laudas aqui balbuciando sobre essa questão transitória, onde o 2D virou 3D mas vou apenas justificar a minha preferência a um Sega Saturn, que foi o primeiro da geração que chegou em nossas mãos. Em duas palavras: Virtua Fighter! No mesmo ano que recebemos o Saturn pelo clube de compras da TecToy, o mundo conheceu o motivo da nossa segunda aquisição de console dessa era. Simplesmente Super Mario 64!

Quem está agora se perguntando porque o PlayStation foi deixado por último eu explico: A Sony era uma estreante em consoles domésticos naquela altura e a nossa praia era mesmo a Sega e a Nintendo. Quando que finalmente eu tive contato com o mitológico PlayStation, foi na casa de um colega de escola, já cursando o ensino médio técnico de Processamento de Dados. Quando eu vi Tekken 2 e Final Fantasy VII rodando na casa desse amigo (abraço Diego!) eu não tive dúvidas. Então mais uma vez estávamos com todas as fatias do bolo à mesa.

Antes do Dreamcast chegar, no começo de 1999 a gente aproveitou muito os 3 consoles da quinta geração. Jogatinas de Nintendo 64 na casa de amigos, jogando com quatro controles aconteciam basicamente todos os fins-de-semana. Eu e meu irmão rivalizávamos nos Street Fighters, Virtua Fighters e afins e o PlayStation se tornou um porto seguro, onde era fácil conseguir um jogo novo e extremamente barato. Vocês conhecem o motivo!

O Dreamcast chegou no primeiro trimestre de 1999 e arrisco dizer que fomos os primeiros da cidade a ter o aparelho. Antes disso, minha vida como criador de conteúdo gamer na internet começara um pouco antes, em 1998. Naquela altura eu estava criando uma “home page” (o conceito de site ou blog não era comum até então). Para resumir uma história longa, nascia ali um projeto para falar especificamente sobre Street Fighter.

Uma simples “home page” que hoje se tornou o portal StreetFighter.com.br – em 1998 ainda feito a base de código HTML puro, que eu tinha aprendido graças a uma cópia de uma apostila que eu peguei emprestado de minha prima, que estava fazendo um curso sobre isso na Unicamp naquele ano. Eu devo muito a esse projeto sobre Street Fighter, franquia a qual sou muito fã e foi através dele que eu consegui o meu primeiro contato com a WarpZone. Muitos frutos colhi por conta desse projeto. Hoje eu sou apenas um coadjuvante em meio a uma equipe de 10 pessoas.

O Dreamcast foi o último videogame que meus pais me deram e a partir dali, com o PlayStation 2, conquistei meus consoles e jogos graças ao meu trabalho. Comecei a trabalhar em 2001 e dali pra frente me tornei colecionador. Hoje possuo mais de 100 consoles e cerca de 900 jogos originais. Fruto de meu trabalho e suor e com isso sou muito satisfeito e feliz.

Mas e o Minicastle, onde se cruza a história do Junião com o Mini? Conheci meu amigo do peito Marcel, meu irmão de consideração, na empresa que trabalhamos. Sim, somos colegas de trabalho antes de sermos amigos. De uma conversa que iniciamos por conta de um 3DS em cima da mesa dele no escritório descobrimos esse interesse em comum. Quem disse que videogames não são motivos de interação social? A partir dali comecei a fazer uns textos para o blog do Mini e as coisas começaram a ficar corriqueiras.

Perguntei então ao Marcel se por que não unir forças? Imediatamente ele topou a ideia então eu o trouxe para a equipe do site de Street Fighter e oficialmente comecei a fazer parte do Minicastle. Minha participação no Mini ficou mais evidente quando consegui convencer o Marcel de tornar o quadro semanal “Sábado Retrô” (que antes era escrito) em vídeo. Mostrei para ele que era totalmente viável e expliquei o procedimento técnico a ele. Sucesso! Hoje o Sábado Retrô tem quase 300 episódios em vídeo e é o xodó do canal. Missão cumprida!

E sobre a WarpZone? Conheci o Denis e o Rafael na casa de um amigo que temos em comum, o Celso Affini do Defenestrando Jogos. Foi durante um carnaval, há alguns anos atrás, na época dos fanzines ainda. Depois desse primeiro contato fui conhecer o Cleber, que gentilmente me enviou dois livros “Clássicos Street Fighter”, um para review e um para fazer sorteio. Meu contato com a WarpZone só cresceu desde então. Hoje sou apoiador do clube VIP, temos uma parceria com o canal através de sorteios semanais durante as livestreams do Minicastle. Participei do time de redatores das revistas Digital e Progames e hoje estamos aqui, com essa coluna mensal no portal WarpZone.

Esse foi um pequeno panorama e uma (não tão breve) apresentação sobre esses dois sujeitos que compõem o Minicastle e que darão as caras por aqui mensalmente. Esperamos que tenham gostado e desejamos uma ótima leitura a todos, sempre!

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