Entendo a hype em cima do novo Spider-Man, lançado este mês como exclusivo para o PlayStation 4. Sei bem como os donos do Xbox One estão se sentindo neste momento – durante muitos anos sempre fiz as piores escolhas de console.

Não me arrependo de ter trocado a Microsoft pela Sony na atual geração, mas sinto falta da série Forza e acho que nunca vou encontrar um jogo de corrida à altura do exclusivo da galera do Bill Gates. Mas o que eu quero destacar é o seguinte: devemos sempre ressaltar os clássicos. E neste caso não falo do cabeça de teia. Eu me refiro ao Batman.

Todos os reviews que já li a respeito do lançamento e todos os gameplays a que assisti me levaram à seguinte conclusão: o grande mérito do novo Spider-Man foi ter copiado ao máximo a série Arkham, produzida pela Rocksteady Studios.

A mecânica de combate é muito parecida com a do Homem-Morcego – combos complexos, mescla entre movimentos em câmera normal e lenta, socos e chutes que podem ser intercalados com lançamentos de projéteis, sejam eles teias ou alguma engenhoca do cinto de utilidades do Batman.

O conceito de um jogo de super-herói em mundo aberto, a existência de missões principais e secundárias, a mescla entre momentos de ação e outros em que você precisa raciocinar no modo stealth para cumprir seus objetivos, tudo isso apareceu pela primeira vez com maestria em 2009 – isso mesmo, estamos falando de quase uma década.

É sensacional voar entre os arranha-céus de Nova York, mas com o Batman você já fazia isso em Gotham City quando Peter Parker ainda estava no Jardim de Infância no Queens.

A grande verdade é que o Batman da Rocksteady, multipremiado ao longo dos anos, mostrou o caminho para os super-heróis nos videogames. Para mim, muitos deles são mal explorados até hoje. Não existe um jogo com os X-Men nas gerações mais recentes de consoles que consiga explorar todo o potencial gráfico das máquinas.

Ter os mutantes somente nos jogos de luta da Capcom é pouco, na minha opinião, especialmente se você pensar na complexidade de um personagem como o Wolverine, por exemplo, que teve um hack & slash, X-Men Origins: Wolverine – para PS3 e Xbox 360, mas que não decolou – assim como seus filmes de origem.

É preciso ainda destacar que o feito da Rocksteady não foi fácil. Outros tentaram e não conseguiram. Apenas um ano antes do lançamento de Batman: Arkham Asylum, a Sega lançou, em 2008, para os videogames da época o Homem de Ferro, na carona do filme.

Ele tinha vários fatores semelhantes ao Batman, jogabilidade em terceira pessoa e mapa aberto, por exemplo, e ainda contava com um trunfo gigantesco: Tony Stark e sua armadura. Você voava, atirava e conversava com Jarvis, tudo isso dublado pelo próprio Robert Downey Jr. Tinha tudo para dar certo, mas não deu. O super-herói mais valorizado nessa nova fase da Marvel, com maior potencial para protagonizar um grande jogo, foi um fiasco.

Iron Man: The Videogame (2008, SEGA)

Admiro demais quem está na vanguarda, seja em que área for – na música, no cinema, nos videogames. Quem consegue ser tão perfeito e inovador naquilo que faz cria uma tendência, um caminho a ser seguido por todos os outros.

O que dizer a respeito de Steven Spielberg e “Os Caçadores da Arca Perdida”? Indiana Jones inspirou uma infinidade de outros produtos culturais, inclusive a maravilhosa série Uncharted e seu protagonista Nathan Drake.

Batman em seus anos dourados, tanto nos videogames, quanto nas telonas, graças à trilogia de Christopher Nolan, conseguiu o mesmo feito. Ele merece ser sempre louvado e revisitado. Deleite-se com Spider-Man, mas se por algum absurdo você não conhece a série Arkham, ainda dá tempo.

Em 2016, ela foi toda remasterizada e lançada para PlayStation 4 e Xbox One, e hoje em dia deve estar baratinha, inclusive. Aqui, então, vai meu recado: antes de ser o amigo da vizinhança, Be the Batman.

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