
Hoje quero falar de um jogo de Mega Drive que muita gente só esbarrou na locadora e deixou passar: Greendog: The Beached Surfer Dude!. Eu conheci do jeito mais anos 90 possível — num sábado em que a gente juntava a galera, escolhia vários cartuchos pra virar o fim de semana e, muitas vezes, decidia pela capa.
Lembro como se fosse agora: cada um apontava um jogo, fazia um discurso de 15 segundos e colocava na pilha. Um amigo olhou a caixa e soltou: “vamos levar esse aqui”. Quando ligamos, foi uma surpresa boa: um plataforma com vibe tranquila, dificuldade ali entre média e fácil, perfeito pra jogar sem stress, revezando controle, rindo de quedas e indo fase por fase no ritmo do sábado.
E o Greendog é exatamente isso: não é “obra-prima do Mega”, mas também passa longe de ser ruim. É aquele jogo competente que não virou lenda, mas fica morando na memória de quem viveu a época das locadoras.
De onde veio o jogo (e por que ele “passou batido”)
O Greendog foi desenvolvido pela Interactive Designs e publicado pela Sega para o Genesis/Mega Drive em 1992 (final de 1992, com registros de lançamento em setembro). Um ano depois ganhou versão para Game Gear, feita pelo mesmo estúdio.
Uma coisa curiosa é o contexto: naquela fase a Sega ainda tentava emplacar novos “mascotes” ao lado do Sonic — e o Greendog entrou nessa leva. Só que nem todo personagem “cola” no público, e aí o jogo acabou ficando num limbo: conhecido o bastante pra existir, discreto o bastante pra ser ignorado.
A história: um surfista, um pingente e uma maldição
A premissa é bem “videogame início dos 90”: Greendog é um surfista/skatista relaxado que leva uma onda, acorda na praia e descobre um pingente dourado preso no pescoço — e não consegue tirar. A namorada (chamada Bambi) explica que aquilo é um amuleto asteca amaldiçoado: tudo na natureza passa a atacar o cara, e a pior parte… ele fica proibido de surfar. Pra quebrar a maldição, precisa encontrar seis partes de um tesouro asteca espalhadas pelas ilhas do Caribe.
E tem um detalhe “geográfico” legal: as fases citam ilhas reais do Caribe (como Grenada, Jamaica e outras), o que dá um tempero de “aventura turística” no meio do plataforma.
Jogabilidade: frisbee, comida e um jogo feito pra curtir
O Greendog é um plataforma 2D de rolagem lateral, com um ritmo mais calmo do que Sonic. A arma é um disco voador tipo frisbee, usado para atacar inimigos e acertar objetos do cenário (totens etc.). Em vez de “barra de vida” tradicional, o jogo trabalha com um medidor de dano e você recupera indo atrás de comida/itens.
Ele também brinca com variedade: tem momentos com skate, patins e outras “brincadeiras” no meio da campanha. E há homenagens claras a plataforma-aventura antiga, com cipó e pegada que lembra Pitfall! em vários trechos.
É exatamente o tipo de jogo que dá pra jogar conversando, com gente passando pela sala, sem precisar de “concentração de cirurgia”. O próprio texto de fãs e análises costuma apontar isso: baixo nível de pressão, trilha “de boa”, e um visual carismático — especialmente fases como a subaquática, que muita gente lembra.
E ele foi bem recebido?
Na época, o jogo ficou ali no “meio do caminho”: algumas revistas deram notas razoáveis, outras foram mais frias. Em retrospecto, muita crítica define Greendog como um jogo “ok”, competente, mas sem brilho de clássico — e isso ajuda a explicar por que ele não entrou no panteão do Mega.
Hoje, em bases históricas como a MobyGames, ele aparece com média crítica por volta de 67% (indicando exatamente esse lugar: não é desastre, não é indispensável).
Por que eu gosto (e por que ele vale revisitar)
Talvez seja justamente por ser um jogo “de locadora” no sentido mais puro. Não exige perfeição. Não te humilha. Você joga, avança, curte a arte, dá risada do protagonista desajeitado, pega o jeito do frisbee e vai. Foi assim que ele entrou na minha coleção: um título que eu comprei depois e ficou como um cartucho bem anos 90 do meu Mega.
Greendog é isso: um sábado encapsulado. Um jogo que não quer ser monumento — quer ser companhia.
Se você nunca deu atenção, recomendo testar com essa expectativa correta: um bom plataforma “B”, com identidade caribenha, ideias próprias e uma trilha que combina com jogar sem pressa.










