Oito títulos nacionais mostram a força criativa da indústria de games do Brasil, com destaque para produções que levam cultura indígena e afro-brasileira para o mundo
Enquanto o mundo discute se videogames são arte, desenvolvedores brasileiros já estão provando isso na prática. A exposição Game+, em cartaz no Itaú Cultural, reserva espaço especial para oito jogos nacionais que representam o que há de mais criativo e culturalmente relevante na produção do país.
Dandara: a heroína que conquistou o mundo
Desenvolvido pelo estúdio mineiro Long Hat House, Dandara foi lançado em 2018 e rapidamente se tornou um fenômeno. O jogo de plataforma metroidvania traz como protagonista uma guerreira inspirada na figura histórica de Dandara dos Palmares, símbolo de resistência negra no Brasil colonial.
Na exposição, além de jogar o título, os visitantes podem ver os Concept Arts originais, revelando o processo criativo que transformou referências da cultura afro-brasileira em uma experiência visual única que conquistou jogadores em mais de 20 países.

Huni Kuin: quando o jogo preserva a cultura
Talvez o título mais significativo da seleção brasileira seja Huni Kuin: Yube Baitana. Contemplado pelo programa Rumos Itaú Cultural, o jogo foi desenvolvido em parceria com o povo Huni Kuin (Kaxinawá), do Acre, e conta a história do jovem guerreiro Yube em sua jornada pela floresta amazônica.
O projeto vai além do entretenimento: é uma ferramenta de preservação cultural, registrando mitos, cantos e a cosmologia de um povo originário em formato digital. A trilha sonora utiliza músicas tradicionais e os cenários reproduzem elementos da vida na aldeia.

Unsighted: inovação técnica made in Brazil
Outro destaque é Unsighted (2021), do Studio Pixel Punk. O action RPG impressiona pela mecânica inovadora de tempo, onde cada personagem do jogo tem um contador regressivo até perder a consciência. As escolhas do jogador determinam quem sobrevive.
Os Concept Arts de Unsighted também estão expostos, mostrando a evolução visual do jogo desde os primeiros rascunhos até o resultado final que recebeu elogios da crítica internacional.

POR QUE ISSO IMPORTA?
A indústria brasileira de games movimenta bilhões de reais anualmente e emprega milhares de profissionais em áreas que vão da programação ao design, da música ao roteiro. Como observa Jader Rosa, superintendente do Itaú Cultural: “A indústria do game envolve profissionais da moda, da música, do audiovisual, do roteiro, do design, da tecnologia.”
Ao destacar produções que incorporam temáticas indígenas e afro-brasileiras, a exposição também reforça o papel dos games como veículo de representatividade e expressão cultural genuinamente nacional.
RESUMÃO PRA VOCÊ
O quê: Game+: Arte, cultura e comunidade
Quando: 13 de dezembro de 2025 a 8 de março de 2026
Horários: Terça a sábado (11h às 20h) Domingos e feriados (11h às 19h)
Onde: Itaú Cultural – Avenida Paulista n.149, Capital de São Paulo
Quanto: Entrada gratuita






