Sou newbie nessa história de escrever sobre games, para usar uma expressão que ouvi muito a respeito de mim durante as horas gastas jogando Counter Strike nas Lan Houses perto de casa. Aprendi a perder sendo morto ‘de faquinha’ nas vielas do inesquecível mapa Favela, uma das primeiras representações do Rio de Janeiro em videogames. Era divertido naquela época ver os tiroteios da vida real reproduzidos no PC, mas hoje é triste pensar que ainda podemos ser rotulados dessa forma pelo designer de jogos gringo e que não será nenhum pecado conosco.

Mas não aprendi somente a lidar com a frustração da derrota nas noites de CS. Na Rússia, fui um dos primeiros repórteres a entender do que se tratava quando Neymar explicou que a comemoração do gol contra o México era uma referência ao jogo. “Fire in the hole”, foi o grito que lembrei de imediato. Como fui cego pelas granadas de luz lançadas pelos rivais. De certa forma, foi o mesmo efeito causado pela boa atuação do camisa 10 nas oitavas de final da Copa do Mundo. Eu tinha certeza de que a seleção passaria pela Bélgica. Não foi possível.

Com tempo de sobra por causa da folga pós-Mundial, fui explorar a loja virtual da Sony e descobri o Fallout Shelter, lançado para PlayStation 4 em junho passado, de graça. Zerei o Fallout 4 no começo desse ano – jogo recomendadíssimo – e a oportunidade de explorar, de graça, um pouco mais de seu universo me pareceu ser a coisa certa a fazer. Eu me viciei. De novo.

Fallout Shelter demanda certa paciência, há momentos em que pouca coisa acontece no abrigo que você gerencia, mas disso você deve estar careca de saber. O jogo chegou a smartphones e tablets ainda em 2015, o que naufragou ainda na primeira linha qualquer pretensão de minha parte de fazer uma resenha (ou seria um review?) a respeito dele. Peço desculpas desde já, ainda estou no Level 1.

O objetivo do FoS (sempre quis criar uma sigla para um jogo, se é que ela não já existe) é simples: desenvolver o abrigo que você gerencia em um mundo pós-apocalíptico, mantendo seus ocupantes felizes. Para isso, você precisa mantê-los abastecidos de energia elétrica, comida e água. É preciso também alimentá-los de amor – para conseguir 100% de felicidade, o melhor caminho é ser o cúpido e formar casais nas salas de convivência. Eles paqueram, dançam, se beijam, transam e saem com o status de “full happiness” do quarto. Em seguida, o homem corre eufórico, enquanto que a mulher se arrasta, cansada por carregar uma barriga de nove meses.

 

Isso faz com que a população do abrigo cresça, o que demanda mais água e comida. Para produzir mais insumos, é preciso construir novas estruturas, que exigem mais eletricidade. E por aí vai. Há missões fora do abrigo e ameaças de invasões, tanto de bárbaros do mundo exterior quanto de criaturas que saem debaixo da terra para destruir tudo que encontram pela frente. Por isso, é preciso armar seus ocupantes, evoluí-los, criar no laboratório um bom estoque de injeções que recuperam a saúde, entre outras estratégias.

Fallout Shelter é daqueles jogos gratuitos que são propositadamente lentos na evolução para obrigar os mais ansiosos a comprar kits e itens que facilitam sua vida, que o tornam mais dinâmico (tenho certeza de que existe um nome técnico para esse tipo de game, mas confesso que não sei. Desculpa, como já disse sou Level 1 nisso aqui).

Ainda assim, vale a pena jogar, Fallout Shelter ocupa o tempo de quem tem a necessidade de estar sempre jogando algo, cativa quem gosta do jogo original ou quem tem orgasmos vendo aquela sua pequena empreitada inicial se transformar num mundo difícil de administrar (fazenda, cidade, família, abrigo pós-apocalíptico, não importa, está tudo sob a mesma lógica, no fim das contas). Eu disse que não faria uma resenha, mas acabei fazendo. Acho que para esse newbie aqui, deu para o gasto.

Fallout Shelter está disponível gratuitamente para Android, iOS, PC e os consoles PS4, Xbox One e Nintendo Switch. Confira também ao trailer: