
Antes da lista, duas linhas de contexto sobre o pato mais temperamental da animação. Donald Duck estreou no curta The Wise Little Hen e, de lá pra cá, virou ícone global (voz clássica de Clarence “Ducky” Nash, depois Tony Anselmo). A própria Disney reconhece 9 de junho de 1934 como a “data de nascimento” oficial do Donald.
Por que o uniforme de marinheiro?
A explicação mais documentada é pragmática: Walt Disney gostava do visual náutico e associou “pato ↔ água”, então o figurino de marinheiro virou assinatura do personagem (há registros de entrevistas com o dublador Clarence Nash reforçando essa ideia).
Curtas diferentes, polêmicos e… “místicos”
-
“Donald in Mathmagic Land” (1959) — o famoso curta educacional mostrado em escolas (muita gente no Brasil lembra como “Donald no País da Gramática”, mas o tema é matemática). Foi indicado ao Oscar e virou referência de divulgação científica pop. Neste curta eram mostradas sociedades secretas e e temas esotéricos. associados aos números.
-
“Der Fuehrer’s Face” (1943) — Donald sonha que vive na Alemanha nazista; sátira pesada da propaganda de guerra. Ganhou o Oscar de curta animado.
-
“The Spirit of ’43” (1943) — outro filme de mobilização (pagar impostos para o esforço de guerra), com o protótipo do Tio Patinhas nos modelos de Carl Barks.
-
“Clown of the Jungle” (1947) — Donald enlouquecendo com o Aracuã (personagem associado à fase latino-americana da Disney).

A lista Sega (só jogos “solo” do Donald — sem Mickey)
Mega Drive / Genesis
-
QuackShot Starring Donald Duck — Plataforma-aventura com pegada “Indiana Jones”: Donald viaja o mundo com pistola de desentupidor e puzzles leves. Recepção positiva na época (gráficos/música elogiados); ganhou bundle com Castle of Illusion anos depois. Direção de Emiko Yamamoto na Sega.
-
Donald in Maui Mallard — Visual mais “dark” e estilizado; saiu oficialmente só na Europa (e Brasil) no Mega Drive, com ports em outras plataformas depois. Hoje é lembrado como cult entre fãs Disney 16-bit.
Master System
-
The Lucky Dime Caper Starring Donald Duck — Donald contra Maga Patalógica para recuperar a moedinha nº1 do Tio Patinhas; sucesso de crítica nas revistas europeias (80–92%). Teve versão também no Game Gear, com diferenças de design e regras.
-
Deep Duck Trouble Starring Donald Duck — Feito pela Aspect; Donald tenta desfazer uma maldição do Tio Patinhas. Elogiado por gráficos/animação, criticado por ser curto e fácil. Saiu em Master e Game Gear.
Game Gear
-
The Lucky Dime Caper (1991) — mesmas fases-tema do SMS, porém com ajustes de layout, timer e itens; boa vitrine técnica do portátil.
-
Deep Duck Trouble (1993) — porta competente; em 2001 a Majesco relançou o jogo junto com o “retorno” do GG nos EUA.
Relevância e desempenho
-
QuackShot virou queridinho do 16-bit Sega (arte, trilha e puzzles elogiados; dificuldade e controle foram alvos de crítica pontual). Continua presente em listas de “melhores do Mega Drive” nostálgicas.
-
Lucky Dime / Deep Duck Trouble sustentaram o Donald com força na linha 8-bit da Sega — especialmente na Europa e no Brasil, onde o Master/GG tiveram vida longa. Deep Duck manteve avaliação boa, ainda que pela rota “curto e fácil”.
-
Maui Mallard teve lançamento regional no Mega (Europa/Brasil), o que limitou o impacto comercial ali — mas o visual e a dualidade de jogabilidade (Maui vs. ninja Cold Shadow) renderam fã-base.

Fechando
Donald é um caso raro: popular há 90 anos, mas com jogos que variam do fofinho 8-bit ao estilão 16-bit cinematográfico. Se você quer montar um “eixo Sega do Donald”, a rota segura é: QuackShot (Mega) → Lucky Dime (Master/GG) → Deep Duck Trouble (Master/GG) → Maui Mallard (Mega, versão europeia/BR). E, como aquecimento, vale rever o trio de curtas Mathmagic Land, Der Fuehrer’s Face e Spirit of ’43 para entender por que esse pato de roupa de marinheiro atravessa tantas épocas.












