Olá, caro amigo. Tudo bem com você? Você, que cresceu jogando videogame, passando as tardes depois da escola, horas e horas na frente do TV apesar de um belo dia tentando se esgueirar nas frestas da janela do seu quarto. Você provavelmente já precisou comprar alguma publicação sobre videogames. Claro, como conseguiria passar daquele boss difícil do RPG de centenas de horas, ou como saber que destruindo uma rachadura na parede abriria uma sala secreta recheada de corações extras sem a ajuda de alguma dica ou detonado?

E por muitos anos as revistas de games no Brasil foram a forma como milhares de jovens podiam se informar sobre as novidades e informações sobre seus jogos favoritos. Por mais de 20 anos elas encantaram várias gerações de gamers e consoles, atravessando o tempo e se tornando artefatos históricos que muita gente lembra com carinho. E é com isso em mente que venho com este projeto; Contar a história do jornalismo de games no Brasil através dos últimos 20 anos!

Antes de continuarmos, é importante ressaltar que através da pesquisa e visando uma fácil compreensão dos fatos, a história do Jornalismo de Games no Brasil que será contada aqui foi divida através de três grandes períodos, que se definem tanto pelas publicações lançadas, pelo público em que tais edições eram direcionadas, e pela relação da mídia digital com a mídia impressa – os dois veículos com maior concentração de publicações do assunto.

Assim podemos separar a primeira fase dos anos 1990 até o começo dos anos 2000, onde havia a predominância de revistas impressas com um grande foco no público infantil, o maior público consumidor de games até aquele momento. Naquele recém-nascido mercado de games, houve muito amadorismo e paixão nas produções das revistas, geralmente sendo feitas em sua grande parte por jovens jogadores que eram encontrados em locadoras e topariam qualquer trocado para poder ficar o dia inteiro jogando e escrevendo sobre videogames.

Logo depois desse período, na virada do novo milênio, outras revistas como a Nintendo World, EGM, Dicas & Truques Playstation, entrariam no mercado para consolidá-lo como um gênero próprio e profissional, abrindo portas para uma nova era, a do digital. Assim, os jogadores não precisavam mais esperar meses para que um detonado viesse, ou por aquelas informações quentinhas sobre o jogo mais aguardado do ano: com apenas alguns cliques, o vídeo de “walkthrough” ou aquele site de notícias os ajudariam facilmente nessa tarefa.

Através de entrevistas com grandes nomes do mercado, e atravessando todas as eras do jornalismo de games, pude reunir dados e informações a respeito (algumas nunca antes reveladas a público!) sobre quais foram os desafios do profissional na área e como eles foram se adaptando ao longo dos anos. Com relatos em vídeo, áudio e texto, a história do jornalismo de games será contada em vidas que de alguma forma se complementaram para que isso acontecesse. Apresento a voz de quem mais entende, dos ex-pilotos das revistas dos anos 90, os colecionadores aficionados de videogame e de revistas do assunto. E acima de tudo, dos gamers de diversas gerações.

É sim uma tarefa extremamente delicada tratar de um assunto que abrange tantos temas e tem um público tão amado e cativo, que nota cada informação e detalhe. Que olha se um jogo está rodando a 1080p ou 720p. Percebe cada pixel de um jogo, cada frame por segundo. Procurar achar diversas fontes que relatassem os mesmos fatos foi essencial para a comprovação de alguns eventos que serão mostrados aqui. Como jornalista, meu papel é informar da maneira mais clara, precisa e objetiva para o leitor. E com este trabalho, isso não foi diferente.

Este trabalho é uma homenagem a todos os jornalistas que trabalharam duro para entregar as melhores dicas, os detonados, as notícias de anúncios, os furos de reportagem. Aos redatores de revistas, que não se importaram de serem ou não pagos para terminar a edição. Ao jornalista que passou horas e horas perdendo o sono e se alimentando de pizza fria e refrigerante sem gás, dissecando um jogo antes de seu embargo, para entregar aquela análise quentinha no site. Soldados. Heróis do jornalismo de games. Que não apenas são gamers, mas apaixonados pelo que fazem.

E não só a eles, mas também aos gamers que passavam suas tardes ensolaradas grudados na televisão com seu videogame ligado, e claro, muito bem acompanhados de uma revista de games. Ou, até atualizando esta cena: um gamer ouvindo um podcast, no qual seus jornalistas preferidos comentam as notícias da semana, e depois prontamente indo interagir na página do Facebook daquele grupo. Assistindo algum vídeo no YouTube. Participando de alguma rede social especializada no assunto. Penso que estamos em um momento tão fascinante quanto aos anos 90, porque temos espaço para falar sobre todas as outras épocas com quem também passou por ela.

Então você, amigo gamer, que provavelmente se identificou com alguns desses períodos (ou quem sabe, todos eles!), vamos juntos iniciar essa jornada por onde tudo começou. No longínquo ano de 1980...

Rodrigo R. Oliveira