
Resident Evil Requiem mostrou ser um jogo muito promissor desde o anúncio de revelação que ocorreu no evento Summer Game Fest, além dos trailers que mantiveram a comunidade engajada e ansiosa.
Assim, repleto de expectativas, Requiem chegou como o nono capítulo principal da maior franquia de jogos survival horror dos videogames. O jogo surge em um momento importante, em que precisava, mais uma vez, se provar como uma série que sabe manter equilíbrio entre tradição e inovação.
Confesso que tive um breve receio de que o jogo pudesse seguir a mesma estrutura que vi em Resident Evil Village, tanto na questão da gameplay quanto na narrativa, já que foi um game com foco maior na ação do que no terror clássico onde a série se consolidou.
Mas, felizmente, posso dizer com muita alegria que Resident Evil Requiem tirou todas as minhas preocupações, porque o jogo acertou em cheio ao resgatar elementos fundamentais da série ao mesmo tempo em que mantém as mudanças mais recentes, criando uma experiência equilibrada que respeita o passado glorioso da franquia sem ignorar o presente.
Ambientação e História
Antes de tudo, pode ficar tranquilo por aqui, como em uma sala de save: essa análise não contém nenhum tipo de spoiler. Vou abordar de forma bem superficial alguns pontos, porque quero tomar cuidado para não comprometer a experiência de quem ainda não jogou.
Resident Evil Requiem veio para mexer muito com a cabeça dos fãs da velha guarda e manter os fãs mais novos da franquia engajados, com uma interessante visita para as memórias do passado ao voltar para Raccoon City 30 anos após os eventos que vivenciamos nos primeiros capítulos da série, tanto nos jogos originais, quanto os remakes.
O jogo nos apresenta Grace Ashcroft, filha da jornalista investigativa Alyssa Ashcroft, uma personagem que foi apresentada em Resident Evil Outbreak, um spin-off lançado no PlayStation 2. Grace é enviada para uma investigação no hotel Wrenwood sobre mortes misteriosas ligadas a uma variação do T-Virus chamada Elpis. Chegando ao hotel, Grace tem flashbacks com memórias traumáticas envolvendo sua mãe naquele local.
Grace, por mais que seja uma personagem nova na franquia, carrega consigo um peso muito importante na lore de Resident Evil. Ela é uma personagem linda, sensível, corajosa (por enfrentar seus medos, literalmente) e muito humana que faz, por muitas vezes, o jogador sentir a vulnerabilidade da personagem junto à coragem de ir atrás de respostas ao caos que a envolve diretamente em tudo que está acontecendo.
E é claro que não posso deixar de falar dele, que é a estrela do show: Leon Scott Kennedy. No auge dos seus 50 anos muito bem vividos, o homem chega com os dois pés no peito e uma chave de Porsche na mão, literalmente demonstrando sua maturidade ao enfrentar as armas biológicas, lidando com tudo que acontece de maneira sarcástica, só que agora com as piadas de tiozão: “quem diria, a idade chega pra todo mundo, não é mesmo?”.
Gostei muito da forma como o Leon voltou, dividindo o protagonismo com a Grace, sendo cruciais um para o outro na história do jogo. Um elemento que acho fundamental na construção de um personagem é a maneira como ele evolui ao longo dos anos. Com o Leon, foi perceptível a evolução dele como pessoa, mudando através dos anos mas sem perder sua personalidade carismática, que o fez ser muito querido por todos os fãs de Resident Evil.
A presença de Leon e alguns outros elementos do jogo mostram que nostalgia é, sim, um elemento chave de Resident Evil Requiem. Mas os desenvolvedores não se prenderam somente nesse fator.
O jogo oferece muito mais do que mera nostalgia e achei isso muito positivo. Requiem poderia ter vindo com uma proposta mais genérica, como a Capcom tentou fazer no passado em Resident Evil 6, com aquele festival de ação tentando agradar a todos, só que felizmente o jogo trilhou um caminho sólido, mantendo suas essências (no plural, mesmo).
O Terror de Resident Evil Requiem
Nostalgia a parte, não podemos nos esquecer que estamos falando de um jogo de terror. E o elemento survival horror está atrelado à campanha da Grace. Para começar a descrever a sensação de terror, ela começa com a ambientação sonora, que considero ser o elemento chave de imersão em um ambiente de terror.
A todo momento me senti desconfortável, angustiado e tenso nas minhas sessões de gameplay com a Grace. Justamente pela ambientação sonora que, na minha opinião, é uma das melhores já vistas em um jogo do gênero. Ambientes claustrofóbicos, inimigos agressivos, locais com baixa iluminação me fizeram ter essas sensações. Ao mesmo tempo que são desconfortáveis, também tornam a experiência muito imersiva.
Os desenvolvedores recomendam que você jogue com a Grace em primeira pessoa, porque nessa perspectiva o jogo se torna mais intimidador durante a gameplay com ela (mas a opção para jogar em terceira pessoa está liberada a qualquer momento caso deseje).
Grace é uma protagonista estreante, mas ela carrega o legado de Resident Evil em uma bagagem maior do que o seu espaço limitado de itens: mansões, backtracking, puzzles e muitas limitações.
Grace é uma agente do FBI, mas ela é uma analista, não uma agente de ação. Felizmente isso não a torna uma pessoa incapaz, pois o que falta em habilidade de combate, sobra em inteligência e agilidade.
Com a Grace, temos recursos como armas brancas que são fracas e eficazes somente com certos tipos de inimigos, sistema de construir munições e recursos escassos.
Por isso, muitas vezes a melhor estratégia é fugir do combate contra os inimigos. Um ponto que vale ressaltar é que todo zumbi morto pode passar por uma mutação, se transformando igual aos Crimson Heads que vimos lá no primeiro jogo da franquia, e você terá que lidar com isso.
Gostei muito da Grace como personagem e da jogabilidade com ela, porque realmente foi o que me fez lembrar de quando joguei Resident Evil 7 dos momentos de tensão e terror que tive na casa da família Baker. Requiem é o equilíbrio perfeito entre Resident Evil 7, onde foi, pra mim, a redenção e reboot da franquia, e Resident Evil 4 Remake, onde a ação mescla com o terror sendo o melhor remake que a Capcom já produziu nos últimos tempos.
Leon é ação pura, mas de maneira controlada
Confesso que fiquei preocupado quando foi revelado que o Leon seria um dos protagonistas do jogo. Meu medo era ver uma ação desenfreada com a presença do personagem, mas felizmente os desenvolvedores conseguiram achar um equilíbrio com a presença dele no jogo.
Porque, enquanto temos que fugir, nos esconder e evitar por muitas vezes o confronto no comando da Grace, jogando com o Leon a coisa muda totalmente. Com ele podemos ir para cima dos inimigos e enfrentá-los sem medo algum. Percebi que não tentaram transformar o Leon em um super-herói mas que ele está mais experiente. Vimos claramente que ele é um personagem muito mais pé no chão, sendo uma evolução clara do que ele foi em Resident Evil 4.
Em sua jogabilidade, movimentos de ataques corpo a corpo voltaram. Junto a isso temos uma finalização com armas de fogo nos inimigos que estão com a vida baixa. As animações com ele foram todas muito bem trabalhadas.
É realmente impressionante o nível de detalhes que é visto em cada animação nos movimentos do personagem. A Capcom está de parabéns — a qualidade foi elevada para um nível muito acima e fez isso com muita excelência.
Como funcionam as mecânicas principais do jogo? Puzzles, Backtracking e exploração?
O jogo não deixa de lado alguns desses sistemas clássicos da franquia fora da estrutura da gameplay de Resident Evil Requiem, mas aqui deixo uma crítica ao jogo: senti muita falta de puzzles que realmente me fizessem pensar e literalmente quebrar a cabeça para conseguir resolvê-los.
Achei muitos dos puzzles do jogo simples e de fácil compreensão. Nada muito complexo. Prestando atenção no que está escrito nos documentos espalhados pelo jogo, você consegue facilmente desvendar os puzzles sem ter muita dificuldade.
O backtracking do jogo praticamente só acontece com mais frequência nos momentos de gameplay com a Grace. Com o Leon, até existem partes do jogo em que é necessário o backtracking, mas não é algo que se repete muito no gameplay do personagem.
Nessa questão achei que o jogo deixa um pouco a desejar. E na exploração, como o jogo funciona? Aqui eu tiro o chapéu para a Capcom: o game design foi muito bem construído. Os cenários instigam muito a exploração, mesmo em locais de baixa luminosidade. O nível de detalhes nos locais é muito bem feito e enriquece muito o fator exploração em Resident Evil Requiem.
A Capcom construiu uma estrutura de gameplay muito bem feita e divertida, passando por exploração em locais fechados e locais abertos. Senti que faltou um pouco mais de backtracking e puzzles que poderiam ser mais difíceis, mas o conjunto da obra, mesmo com essas ausências, torna a experiência muito boa e divertida.
Tempo de jogo
Na campanha levei um tempo de 13 horas para concluir o jogo, explorando cada canto dos cenários sem correr, aproveitando ao máximo a experiência. Acho que poderia ser estendido o tempo, totalizando em 20 horas, que acredito ser um tempo justo — algo dentro do padrão dos jogos recentes da série.
O jogo tem um fator replay muito forte, que é o carro-chefe em Resident Evil. Caso você seja um jogador completista que busca o 100%, o tempo do jogo se estende fácil para as 40 horas de gameplay.
Otimização e Gráficos
Resident Evil Requiem apresenta, nos PCs, todas as características de um grande lançamento AAA na indústria dos videogames: path tracing, DLSS 4.5 com Multiframe Generation, ray tracing, NVIDIA Reflex e todos os tipos de configurações e presets gráficos possíveis.
O desempenho do jogo se manteve muito estável, rodando acima dos 60 quadros, mesmo em alguns momentos em que eu exigia ao máximo o desempenho do meu hardware. O path tracing faz muita diferença na iluminação, dando mais realismo nas luzes e sombras do jogo (mas esses são detalhes estéticos que, no fim, fazem um certo tipo de diferença, sim, mas não são tão necessários assim).
A RE Engine é um motor gráfico muito bem otimizado e, mesmo que você não tenha um PC tão potente, o jogo é acessível. Ele pede como requisitos mínimos um processador Intel Core i5-8500 ou AMD Ryzen 5 3500, e como placa de vídeo mínima recomendada uma GeForce GTX 1660 6GB ou Radeon RX 5500 XT 8GB. Configurações com as quais você vai rodar o jogo em 1080p a 60 FPS.
Setup usado:
- SO: Windows 11 Pro versão 24H2 64 Bits
- Processador: AMD Ryzen 7 5700X3D
- Placa de Vídeo: NVIDIA GeForce RTX 5070 11GB VRAM
- Memória RAM: 32GB (2x16GB) XPG 6000MHz, DDR5
- Armazenamento: SSD NVMe M.2 1TB
- Controle: DualSense
- Headset: QKZ-EDX-PRO
- Armazenamento: Atualmente ocupa 73 GB — Steam
Resident Evil Requiem realmente vale a pena?
Resident Evil Requiem é uma carta de amor aos fãs da franquia. O jogo dosa muito bem os momentos de ação com o terror e até mesmo uma pitada de nostalgia. Realmente ele tem um fanservice muito forte, sendo a experiência que todos os fãs de Resident Evil vão gostar. A Capcom fez um trabalho excelente equilibrando muito bem a campanha sem exagerar.
Resident Evil Requiem não é um jogo perfeito, mas ele poderia ter dado mais ênfase em mecânicas que os fãs da franquia gostariam de ver. Entendo, porém, que a proposta do jogo foi trabalhar no equilíbrio para a experiência ser agradável tanto para o fã de longa data quanto para os fãs mais recentes e buscando atingir um novo público de jogadores para Resident Evil.
Como um jogo numerado da linha principal, ele entrega uma qualidade muito alta na gameplay, animações, performance e desempenho. A história, no meu entendimento, é boa. Tem um enredo que funciona bem — não é uma história ultra mega elaborada, mas é o arroz com feijão que funciona dentro de Resident Evil, só que com um tempero especial que com toda certeza vale muito a pena.
Recomendo muito o game. Se pudesse dar uma nota para ele, com certeza daria 9!
Resident Evil Requiem foi cedido pela Capcom Brasil para a WarpZone realizar essa análise.







