Pelo menos para mim, quando dizemos que um game é “bom”, ou pode ser inserido em listas de “melhores de todos os tempos”, um dos critérios que uso é o fato de que o game pode ser jogado a qualquer tempo, em qualquer geração. São games que transcendem gráficos, conceitos e eras, e que continuam sendo divertidos sejam eles lançados hoje, nesta semana, ou há trinta anos atrás.

Neste contexto, sou um de muitos que devem estar conferindo este review que gosta e joga até hoje os games das Tartarugas Ninja. Especialmente os da Konami, que fizeram grande sucesso nos arcades, mas também em consoles como o NES, o Super Nintendo e o Mega Drive. Dentre estes jogos, há os preferidos de cada um, mas não há como negar que o trabalho em todos eles são excelentes até os dias de hoje, garantindo diversão para os entusiastas de jogos antigos, ou mesmo para quem não tem o costume de jogar games antigos.

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Sentando a porrada novamente na “Big Apple”.

A DotEmu sabe disso, por isso começou a trazer para os fãs de clássicos, além de potenciais novos jogadores de beat ’em ups jogos bem interessantes. Primeiro tivemos Streets of Rage 4, que agradou muito, ressuscitando uma franquia querida dos tempos de Mega Drive. E, desta vez, temos a vingança do Destruidor, ou melhor, Shredder’s Revenge. O novo game envolvendo as Tartarugas Ninja que tem inspiração direta nos clássicos da Konami (que inclusive também irão retornar em coletânea).

Assim como em Turtles in Time, o game que saiu primeiro para arcades, mas depois faria sucesso no Super Nintendo, O game coloca as quatro tartarugas nas ruas da “Big Apple” (ou seja, Nova York), para enfrentar os planos malvados do Destruidor. Desta vez, o Clã do Pé, com seus capangas e robôs, estão virando a metrópole do avesso, para trazer seu mestre de volta. Isso significa que a cidade é o cenário principal do jogo, e os jogadores passarão por ruas, parques, esgotos e até em outra dimensão para frustrar a vingança do vilão. Mas tudo se iniciará no estúdio de TV.

Dá pra jogar sozinho ou com até cinco pessoas ao mesmo tempo.

Tudo, claro, como um bom e velho beat ’em up: andando pelos cenários, espancando quem aparecer na frente, pegando pizzas pelo caminho até achar o chefe, descer a porrada nele e seguir assim até o final do game. O game não reinventa a roda, trazendo o essencial do gênero com maestria, fazendo com que o jogador sinta realmente a mesma sensação de jogar um clássico do fliperama, no início dos anos 90.

Mas ainda assim, a DotEmu encontrou meios de modernizar o gênero. O botão de ataque simples pode ser carregado para um ataque mais forte, além de outro botão ativar o Super Ataque, mediante a uma barra de energia cheia, que vai se enchendo conforme você bate nos inimigos. Há ainda a possibilidade de um rolamento combinado com ataque, dois tipos de ataque aéreo e ainda outro ataque, ativado com pulo e ataque juntos, o que já dá maiores possibilidades ao jogo.

Também é possível agarrar os inimigos, e fazer uma das coisas mais legais que os clássicos já permitiam: atirar o inimigo na tela. É a simplicidade de ontem com a qualidade de hoje. Falando em qualidade, o game mantém outro elemento bacana, ao menos nos arcades: a possibilidade de se jogar com os amigos. Mas, se nos fliperamas era possível jogar com quatro Tartarugas, agora o game permite 5 jogadores na ação, com sete personagens disponíveis. Além das quatro Tartarugas (Leonardo, Raphael, Michelangelo e Donatello), também temos Mestre Splinter e April O’Neil, além de Casey Jones, desbloqueado ao terminar o Modo História.

O game teve até o cuidado de trazer finais dedicados para cada personagem. Porém não é nada demais, com um final “padrão” e uma tela específica para cada personagem, assim como nos antigos jogos de luta. E, para somar o pós-game, também há colecionáveis, sugeridos por coadjuvantes e que podem ser encontrados pelas fases, que podem ser rejogadas. Além dos colecionáveis, o jogo te convida para rejogar, também em caráter de tempo ou desafios.

O caos impera no game, o que é bom demais.

E, para se adequar aos dias atuais, há desafio para todos. Desde um modo mais fácil e casual, até um modo mais difícil, que simula a jogatina com apenas uma ficha, dando game over se o jogador perder todas as vidas.

Junte-se a isso um trabalho visual impecável em pixel art, que nos faz realmente imaginar que estamos jogando um game dos anos 90, o gameplay que pode ir do casual ao insano com quatro ou cinco jogadores na tela, e detalhes simples, mas divertidos, como os inimigos fingindo trabalhar ou “escondidos” em sacos de lixo nas fases, e temos um game que não só conseguiu ser bem feito, como trouxe a essência dos clássicos beat ’em ups das Tartarugas para os dias atuais.

A DotEmu conseguiu traduzir muito bem a diversão do passado para os formatos atuais. Soube trazer desafio e diversão para diversos tipos de jogadores, e ainda apresentou um trabalho primoroso visual, nos levando, mesmo que em um console poderoso como os atuais, para os tempos mais simples dos arcades barulhentos dos anos 90.

Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge já está disponível, com versões para PC, Playstation 4, Playstation 5, Xbox One, Xbox Series X|S e Nintendo Switch. O jogo possui menus e legendas em português brasileiro.