Semelhante ao texto da semana passada, trago pra vocês mais um pouco das minhas aventuras pelos caminhos árduos dos joguinhos casca grossa. A bola da vez é Megaman, clássico da Capcom e do Nintendinho, que mesmo com suas limitações consegue fascinar ainda hoje.

O dia em que conheci o robozinho azul

Minha história com Megaman começou nos 16 bit. Em uma tarde de julho, época de férias escolares, meu primo veio passar alguns dias em minha casa. Na época eu já tinha um Super Nintendo, e meu primo sempre que vinha pra cá trazia seus jogos. Mas, dessa vez, ele trouxe um cartucho diferente dos que ele sempre trazia: Rockman 7, a versão nipônica de Megaman 7.

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Espetamos aquele cartuchinho cinza no console e foi amor à primeira vista. As fases, as músicas, os gráficos, os chefes…tudo me fascinou naquele game. Que experiência maravilhosa! Posso afirmar que a minha trajetória como apreciador de jogos 2D mudou a partir daquele dia.

Curiosidade move o mundo

Foram muitas jogatinas naquele cartucho, e um detalhe me chamava à atenção. Pra quem não teve contato com a versão japonesa, além do nome diferente e da linguagem do jogo, temos uma tela inicial que não há na versão americana. Logo que você liga o console, aparece uma ordem cronológica com todos os 6 títulos anteriores e seus respectivos anos de lançamento.

A tela que atiçou minha curiosidade

Surgiu então uma curiosidade: como serão os jogos mais antigos? Infelizmente, só pude ter acesso aos 6 primeiros títulos anos depois, nos emuladores de PC. E foi aí que o fascínio aumentou ainda mais. Descobri jogos maravilhosos, tão bons quanto o que havia jogado no meu Super Nintendo. Porém, me deparei com uma coisa que não estava acostumado: a tenebrosa dificuldade. Em especial, aquela do primeiro jogo da série.

Megaman, ou Rockman no Japão , foi lançado em 1987 pela Capcom para Famicom e Nintendinho. O jogo traz uma desafiadora experiência que atormenta até hoje muita gente que tenta jogá-lo. E como gosto de desafios, fui jogar o primeiro titulo.

Descobrindo um novo velho game

Ano de 20XX. O relógio marcava 15 horas. Liguei o PC Pentium 2 (128mb de RAM), abri o emulador e comecei a jogar o primeiro Megaman. A reação inicial foi de uma leve estranheza, visto que eu tinha como experiência inicial os gráficos lindos do 16-bit. Mas logo esse sentimento deu lugar a empolgação. Tudo que havia conhecido no Super Nintendo já estava ali. Gameplay, power-ups, esquema de chefes…me senti em casa. Então, chegou a hora de escolher qual caminho seguir.

Fase do Gutsman selecionada. O vilão salta na tela, ao lado da pontuação que ganharemos caso derrotemos ele. E essa foi uma coisa que achei diferente, pois no Megaman 7 não havia pontuação, e posteriormente observei que nenhum dos outros títulos possuía. Tal fato acontece devido aos resquícios das raízes dos arcades que ainda permeavam na época os estúdios de desenvolvimento da Capcom. Interessante…

A frustração

A fase começa, e logo vem o choque de realidade. Diferente do que eu estava acostumado, em Megaman a dificuldade já é jogada de cara em nossos peitos. Assim, tão logo cheguei na parte das plataformas que andam em trilhos na fase do Gutsman, percebi que a tarefa de fechar o game seria extremamente árdua.

Dali pra frente, foi só pra trás…eu morria pros inimigos, morria pros buracos, morria de raiva do respawn…Consegui às custas de muito suor vencer os 6 primeiros chefes. Mas, ao chegar na fortaleza do Dr. Willy, vi que estava em meu limite. Tentei tanto, que cheguei a me frustrar. Sendo assim, acabei recorrendo para um método não muito ortodoxo: o save state (nada contra quem usa essa tática, viu? Eu só não curto).

Através desse método, consegui terminar o jogo, mas eu não estava contente. Parecia que havia feito algo de errado, me sentia mal. Fiquei incomodado por anos com aquilo, pois a minha vontade era realmente de fechar o game pelos métodos normais, com minhas habilidades e meu esforço.

Passaram-se alguns anos, e vários outros jogos foram debulhados, mas a sombra daquela fatídica tarde ainda me perseguia. Então, resolvi colocar um fim nessa situação. E dessa vez, jogando da forma certa: diretamente no console! Liguei a televisão de tubo, pluguei o Nintendinho, coloquei o cartucho e parti pra guerra!

Conhecendo o inimigo

Pra quem nunca jogou ou não se lembra do game, vou dar uma breve pincelada sobre sua estrutura. Em primeiro lugar, como a maioria dos jogos de videogame dos anos 80, Megaman faz parte do gênero plataforma. O jogo possui um sistema de vidas, bem comum também aos jogos da época. Se as vidas acabarem, o game over é certo!

Em segundo lugar, temos a liberdade de escolher uma das 6 fases iniciais que existem no game. Cada uma possui a figura de um dos robôs que serão seu desafio ao final de cada level. Você deve derrotá-los, e partir para o confronto final na fortaleza do Dr. Willy, onde o jogo fica ainda mais insano. Vença-o, e terá a alegria de completar esse belo (e mega difícil) clássico.

Os 6 chefes clássicos de Megaman!

Megaman sempre é reconhecido também por sua memorável trilha sonora. Deixo aqui pra vocês uma das melhores músicas que embalam jogo. Ela cola em sua cabeça, e sempre que vou jogar esse título, fico cantarolando a melodia. Apreciem sem moderação!

No campo de batalha

Comecei a jogar e percebi que, diferente da primeira vez que joguei, eu estava bem melhor. Talvez por conta de toda a bagagem de jogos que debulhei nesse espaço de tempo, eu já não sentia mais aquela dificuldade insana logo nos níveis iniciais. Mas nem por isso eu deixei de sofrer. Ter melhorado não significa que estaria livre de querer quebrar meu controle.

Derrotei os 6 Robot Masters, e parti para a batalha final. Vencer os primeiros chefes te faz sentir que você evoluiu no jogo, e que de alguma forma você conseguirá enfrentar o Willy de igual pra igual. Mas, antes de tudo, vem um dos desafios mais chatos de toda franquia: Yellow Devil. Alí é osso duro, cara. Sua paciência e habilidade serão testadas ao enfrentar esse chefe.

Prepare-se. Aqui você irá sofrer!

O derradeiro combate

Após superar o Yellow Devil, os 6 chefes inicias (que retornam pra você fazer com que virem sucata novamente) e os demais desafios, cheguei ao Grand Finale. Willy estava na minha frente. Logo, tentei esfriar a cabeça, respirar fundo, e partir com sangue nos olhos para derrotar o cientista bigodudo.

A batalha é árdua, toda sua habilidade e reflexos são testados ali naquela luta. Em seguida, você vê o medidor de energia do vilão zerar após vários ataques seus. “Venci!”, eu pensei. Ledo engano. A proteção da nave dele foi destruída, e enfim o confronto final começa!

“Vamos Megaman, o mundo depende de você!”

Eu tenho a força!

Como já havia chegado até ali, sentia que nada poderia me deter, e após mais alguns tiros, desvios e alguns danos, Dr. Willy estava no chão, implorando por sua vida aos pés de Megaman. “EU NÃO ACREDITO!”, gritei ao ver que havia conseguido vencer o derradeiro desafio. A sensação de poder ter superado meus limites como jogador foi indescritível! Enfim, eu havia completado o primeiro Megaman…

O tempo passou, os outros títulos da série clássica foram debulhados no console, mas aquela sensação de superação do primeiro jogo eu jamais senti igual. E sempre que posso, retorno a ele para sempre manter viva a memória desse clássico que tanto nos tira do sério, mas também nos diverte e fascina.

Fim do jogo. Megaman volta pra casa e o mundo está salvo…pelo menos por enquanto

Se você chegou até aqui, muito obrigado! Cada texto é feito de coração para vocês. E em breve retornamos com mais um texto novo sobre joguinhos velhos. Até mais!