
Faz um tempinho que não escrevo aqui na minha coluna, então quero aproveitar essa data pra tirar a poeira do caderno e falar sobre um jogo que marcou demais minha época de PS1.
O lançamento de FF8 está registrado na minha memória de jogador. Hoje, exatos 27 anos depois, eu preciso falar sobre esse jogo que carregou nas costas o peso de suceder o impossível. Porque quando a Square lançou Final Fantasy VII, ela não lançou só um jogo — ela lançou um fenômeno que mudou a forma como o mundo inteiro enxergava os RPGs e, sinceramente, os videogames como um todo.
Final Fantasy VII foi um arrasa-quarteirão, um tsunami, um antes e depois. E aí, no meio daquela euforia coletiva, com a gente ainda digerindo Midgar, Sephiroth e aquela cena da Aerith (com uma versão da música de Opera House do FF6 – Meu Deus), vem a Square e anuncia o oitavo capítulo. A expectativa? Estava lá no teto. Não, estava além do teto, pelo menos pra mim.
Aqui no Brasil, a gente vivia uma realidade paralela e maravilhosa quando se tratava de PlayStation. O camelo era o nosso portal interdimensional, a nossa conexão direta com o Japão. E Final Fantasy VIII chegou nas nossas mãos praticamente ao mesmo tempo que saiu por lá. Pensa nisso. Um moleque brasileiro, em 1999, botando o disco piratinha no PS1 e vivendo a mesma experiência que um jogador em Tóquio, quase que simultaneamente. Não tinha internet rápida, não tinha Steam, não tinha download digital — tinha o cara da banquinha com aquele CD-R escrito de caneta, e era assim que a magia acontecia.

Esse sentimento de estar conectado ao mundo dos games, mesmo que por vias nada convencionais, era algo que só quem viveu aquela época entende de verdade.
E as revistas, meus amigos? As revistas eram as nossas redes sociais, os nossos influenciadores, a nossa fonte sagrada de informação. Eu lembro como se fosse ontem de abrir a Gamers e ver aquelas páginas dedicadas ao Final Fantasy VIII com uma palavra que ficou gravada na minha cabeça: Obra de Arte.
A Gamers chamou o jogo de Obra de Arte e eu concordo. Concordo hoje, concordei naquela época, e vou concordar até o último dia. Os gráficos que pareciam impossíveis para um PlayStation, as cutscenes que faziam a gente esquecer que estava olhando para um console de 32 bits, a trilha sonora do Nobuo Uematsu que te levava para outro plano de existência — “Eyes on Me” tocando enquanto Squall e Rinoa flutuam no espaço… me diz se isso não é arte. Aquele baile, aquele encontro, aquela dança. Final Fantasy VIII era cinema, era música, era poesia interativa.
Olha que nem sai da abertura do jogo ainda…
Eu tenho meu CD piratinha até hoje. O mesmo. Aquele exato disco que eu coloquei no meu PS1 no final dos anos 90 que rodou comigo do primeiro ao último segundo de gameplay. Ele está aqui, comigo, sobrevivendo ao tempo como uma relíquia pessoal de uma época que não volta mais.
Toda vez que eu olho pra ele, eu não vejo só um pedaço de plástico com dados gravados — eu vejo noites sem dormir, eu revezando entre ir para o Senai de dia e jogar de noite, eu vejo o sistema de Junction que eu demorei pra entender mas que depois amei, eu vejo o Triple Triad que virou um vício à parte, eu vejo o Squall deixando de ser aquele cara fechado e aprendendo a se conectar com as pessoas ao redor dele. Esse CD é a minha máquina do tempo.
Final Fantasy VIII merece ser celebrado, não como “aquele jogo que veio depois do VII”, não como coadjuvante, não como nota de rodapé. Ele merece ser celebrado como o que ele é: um dos RPGs mais ambiciosos, emocionantes e corajosos já feitos.

A Square poderia ter jogado pelo seguro, poderia ter feito um “Final Fantasy VII Parte 2”, mas não, ela apostou em algo completamente diferente, com um sistema de batalha único, uma história de amor no centro de tudo e uma proposta visual que empurrou o PlayStation ao seu limite absoluto. Vinte e sete anos depois, eu levanto meu copo de toddy aqui para esse jogo que marcou minha vida e a vida de tantos jogadores ao redor do mundo.
Feliz aniversário, Final Fantasy VIII. Você é, foi e sempre será uma Obra de Arte!







