Meu primeiro contato com Chrono Trigger não foi no console, foi no papel. No finalzinho de 1995, a edição nº 19 da Super GamePower chegou às bancas com uma matéria dupla assinada pelo Marcelo Kamikase que me deixou hipnotizado.

Capa da Super GamePower

Aquelas páginas descrevendo o sistema de batalha, as viagens no tempo, os múltiplos finais, eu li e reli até decorar. Ali eu já sabia que precisava jogar Chrono Trigger, que na época eu ainda chamava de “Crono Tráiguer”. Não consegui deixar passar, a revista fez o trabalho dela: plantou a semente e deixou a ansiedade fazer o resto.

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A chance veio em 1996, quando finalmente coloquei as mãos numa fita alugada na Sampa Vídeo, lá no Parque São Rafael, aqui na capital de São Paulo. Eu e meu primo dividíamos o Super Nintendo e criamos um esquema perfeito: ele jogava de manhã com o save dele, eu jogava de tarde com o meu.

A gente não competia, a gente colaborava sem querer. Ele descobria um caminho, uma técnica, um segredo, e quando eu sentava pra jogar já sabia o que tentar e vice-versa.

Foi amor à primeira vista

Cada sessão era uma conversa silenciosa entre dois saves. E como eu sabia que a fita ia voltar pra locadora, fiz o que qualquer moleque apaixonado faria: tirei xerox da capa. Aquela xerox preto e branco, meio borrada, ficou guardada como se fosse um pôster oficial e está comigo até hoje.

Ainda nos anos 90, quando a internet discada começou a entrar na minha vida, caí de cabeça nos fóruns que falavam de JRPG. Foi ali que descobri a existência do Radical Dreamers, aquele jogo-texto pro Satellaview que servia de ponte entre Chrono Trigger e o que viria a ser Chrono Cross.

Fiquei absolutamente maluco pra jogar. Um jogo que quase ninguém tinha visto, num periférico que nunca chegou aqui, e eu lá, lendo relatos de quem tinha conseguido uma ROM, imaginando cada cena descrita em texto. Épocas da CBT, se lembra dela?

Nota máxima…

Chrono Trigger me ensinou que um grande jogo não termina quando você desliga o console, ele continua nas páginas de uma revista, nos fóruns, nas xerox guardadas na gaveta, e trinta e um anos depois, o jogo continua aqui, na minha lembrança.