
A Headscon Acre chega em sua 4º edição, sob a tutela do Instituto Gamecon, uma organização sem fins lucrativos dedicada à promoção da cultura digital, da inovação e do desenvolvimento de talentos criativos no campo dos jogos eletrônicos. O Instituto realiza ações de formação, incentivo e visibilidade para jovens desenvolvedores do país. A Headscon, um dos principais projetos da instituição, une tecnologia, educação e cultura, funcionando como plataforma de conexão entre novos criadores e o mercado global de games.

Dito isto, os jogos estão sendo expostos nesta 1ª semana de agosto, dentro do estande da Headscon durante a Feira ExpoAcre, que ocorrerá no Parque de Exposições Wildy Viana em Rio Branco, capital acreana. E dando continuidade ao formato que ocorreu do ano anterior, vai trazer a 3ª edição da Mostra Competitiva de Jogos da Amazônia Legal, uma oportunidade para os desenvolvedores independentes mostrarem seus projetos em andamento (ou recém-lançados), e também serve como atração para o público, e vitrine com projeção nacional. Além da exposição dos jogos durante os 9 dias de evento, os estúdios ainda concorrem a 6 premiações: Melhor Jogo (Júri Técnico e Popular), Melhor Arte, Melhor Áudio, Melhor Jogo com temática Amazônica e Melhor Demo / Protótipo. E vamos conhecer os selecionados:

1º ) Rural Watch / 68 studios (ACRE) – página do jogo
Inspirado em I’m on Observation Duty e FNAF, trata-se de um novo jogo de terror de vigilância que combina tensão e aconchego rural em um estilo cozy. O jogador assume o papel de um vigilante noturno que monitora câmeras para identificar e reportar anomalias. As mudanças variam de objetos fora do lugar e portas abertas a entidades e distorções. Acumular falhas na detecção torna o ambiente incontrolável, exigindo memória afiada. O diferencial do título é a atmosfera analógica relaxante e a acessibilidade. Com jogabilidade simples e tutorial direto, é uma porta de entrada amigável ao gênero. A experiência equilibra o suspense com o conforto da ambientação no campo. O jogo já conta com suporte completo para português do Brasil e inglês.

2º ) Crianças Crescidas / KGame (ACRE) – página do jogo
Uma nova releitura de Alice no País das Maravilhas chega aos games em tom poético. O título é um plataforma desacelerado que troca a precisão pelo foco na atmosfera. Com artes cacofônicas e espírito de game jam, evoca o clima onírico de Samorost. Seus seis níveis propõem uma jornada lúdica e nostálgica sobre o amadurecimento. A obra reinterpreta Lewis Carroll através de um prisma socrático e freudiano. A jogabilidade estimula a autorreflexão por meio de questionamentos e insights. O faz-de-conta da infância é resgatado sob a perspectiva de quem já é adulto. Apesar do ritmo contemplativo, o mistério e a tensão psicológica se mantêm. A frase “Cortem-lhe a cabeça” vira um alerta para não perder a razão no processo. É uma experiência ideal para quem busca filosofia e imaginação acima do desafio.

3º ) Molar, o vampiro Vegano / contoconto (ACRE) – página do jogo
Trata-se de um jogo sério infantil que promove a alimentação saudável de forma lúdica. O protagonista é um vampiro gentil que prefere frutas e vegetais em vez de sangue. Convocado pelo Conselho Vampírico, ele viaja por fases desafiadoras rumo à Transilvânia. Com arte afetuosa e som delicado, o platformer é focado em crianças a partir de 4 anos. Testado na Creche Jacamim (AC), o jogo teve forte engajamento e jogabilidade intuitiva. O impacto foi prático: os alunos passaram a comer frutas para imitar o personagem. A proposta busca integrar o currículo municipal alinhado às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O projeto completo inclui novas fases, animações entre as fases, novos vegetais e mais opções no cardápio. Uma fase bônus trará mecânica de voo com o protagonista transformado em morcego. O projeto destaca o potencial dos games como aliados na educação e na primeira infância.

4º) A Floresta tem boca / B.C.T Studio (ACRE) – página do jogo
Um novo survival horror indie leva a tensão no estilo Slender para a Floresta Amazônica. Perdido na mata fechada, o jogador deve coletar totens para conseguir escapar com vida. A missão é dificultada pelo lendário Mapinguari, que espreita implacável entre as árvores. A jogabilidade foca em coleta, gerenciamento de tempo e fuga estratégica do monstro. A ambientação retrata uma floresta viva e ameaçadora, repleta de encantaria amazônica. Cada barulho no cenário serve de alerta para avisar que a fera está se aproximando. A experiência coloca o jogador na posição desconfortável de ser uma caça na escuridão. O título destaca a riqueza do folclore brasileiro no cenário do horror interativo. A proposta entrega um esconde-esconde tenso e focado em puro suspense psicológico. Uma pedida imperdível para fãs de jogos de sobrevivência e lendas do folclore nacional.

5º) Valsa das Macaúbas / Trinity Wave Studios (TOCANTINS)
Com a possibilidade de experimentar gratuitamente na Steam, trata-se de um novo adventure em terceira pessoa que combina horror psicológico com realismo fantástico. A trama traz uma jornada sombria que transita entre o mundo real e o sobrenatural. O jogador explora cenários, investiga mistérios e toma decisões que alteram a história. A jogabilidade aposta no estilo dos anos 2000, sem dicas ou interface na tela. A navegação e os puzzles dependem de um mapa físico presente no próprio mundo do jogo. A imersão é sustentada por um roteiro envolvente e por um trabalho dedicado de dublagem. Para acessibilidade, há uma opção de iluminação reforçada para cenários mais escuros. A proposta resgata a essência dos clássicos onde o jogador descobre tudo por conta própria. O suspense explora com maestria temas de mistério histórico com identidade nacional. É um prato cheio para fãs de narrativas densas, investigativas e desafiadoras.

6º ) Blissaster: O Apocalipse Finalmente Chegou / Rat in a Cup (AMAPÁ)
Aqui temos um empolgante jogo em duas dimensões (2D), com visão de cima para baixo, que combina de forma frenética as mecânicas de defesa de torre, com o ritmo alucinante dos jogos de tiro, incrementado com a alta rejogabilidade do estilo roguelite. Sua missão principal é proteger a torre que fica no centro do mapa. Para isso, o jogador assume o controle de Larry, um verdadeiro especialista em sobrevivência, que precisa dar cabo de hordas de infectados usando um arsenal variado de armas e itens de sobrevivência, incluindo armadilhas e a defesa estratégica da base. O grande diferencial de Blissaster está exatamente na mistura desses gêneros consolidados (tower defense + bullet hell + roguelite), com potencial de oferecer uma experiência única. O visual traz um estilo artístico atraente que, segundo os criadores, faz uma referência direta aos clássicos como “Plants vs Zombies”. A jogabilidade é pensada com uma estratégia leve, sendo adaptável a diferentes perfis de jogadores, e tudo isso é conduzido por Larry, um protagonista carismático, caótico e irreverente. É possível experimentá-lo através do Itch.io do estúdio.

7º ) Tiny Memory / Salazar Studio (AMAZONAS) – página do jogo
Uma clássica mecânica de jogo da memória vira o sistema de combate deste novo jogo. O jogador enfrenta batalhas onde encontrar pares de cartas executa ações do herói. Cada combinação certa resulta em ataques, defesas ou curas para manter o personagem vivo. Caso cometa um erro ao virar a carta, o jogador sofre dano imediato do inimigo. A missão principal da jornada é avançar pelas fases para recuperar o Cristal da Vida. Conforme o herói progride, o tabuleiro ganha mais cartas, aumentando a dificuldade. Com visual carismático e estilo arcade, o título traz um protagonista envolvente. A proposta combina sorte, estratégia e raciocínio rápido sob uma tensão constante. Cada par revelado no tabuleiro torna-se uma aposta de alto risco entre a vitória e a derrota. É uma reinvenção criativa para quem busca um desafio leve, dinâmico e marcante.

8º) WTF: Wheels Tires and Flesh / Sardinhas Studios (AMAZONAS)
Com demo disponível na Steam, trata-se de um novo bullet heaven veicular que combina massacre de zumbis e velocidade insana. O jogo traz um tom de sobrevivência escrachado e paródico sobre quatro rodas. Os carros são desenhados inspirados na “pele” de personagens muito conhecidos. A mecânica foca em criar combinações absurdas de armas para moer as hordas. O loop de recompensas viciante garante que o veículo fique cada vez mais forte. Quanto mais rápido e poderoso o carro se torna, maior fica o risco de destruição. O visual caótico e colorido faz um contraste marcante com a trilha de música clássica. A música erudita e séria ganha intensidade conforme a tensão ao volante aumenta. A proposta aposta em adrenalina pura, destruição sem limites e muito humor. É a pedida ideal para fãs do gênero survivor que buscam ação e alta velocidade.

9º) Ball Champ / Toró Studios (PARÁ) – página do estúdio
Uma inovadora mistura de futebol de rua, souls-like e roguelike chega aos games. A trama segue a equipe Ball Champ enfrentando demônios para salvar a felicidade do mundo. Neste jogo de ação robusto, a bola de futebol transforma-se na sua principal arma. A jogabilidade exige precisão nos dribles e chutes para superar as hordas das trevas. O título se destaca pela direção artística corajosa e pelo excelente trabalho de som. O feedback de cada passe e golpe oferece uma sensação tátil extremamente satisfatória. Sua interface minimalista esbanja charme, como mostrar um cartão amarelo ao morrer. Cada tentativa traz desafios inéditos graças ao ritmo viciante do gênero roguelike. A obra traduz a paixão pelo esporte em uma experiência de combate desafiadora e ágil. É uma proposta estilosa e altamente empolgante para quem busca originalidade no gênero.

10º) KYRO / Chuva Studio (PARÁ)
Com demo disponível na Steam, trata-se de uma aventura em pixel art com visão top-down inspirada nos anos 80. O jogador controla Aiden, um garoto corajoso tentando ajudar a Ilha de Ka’a. O cenário é o último pedaço de um mundo à beira do horizonte de um buraco negro. Equipado com um estilingue, o combate é focado na precisão da mira do protagonista. O level design incentiva a empatia, transmitindo uma mensagem não violenta. A narrativa evoca a ternura de clássicos como Os Goonies e A História Sem Fim. O contraste entre a ternura do herói e o mistério do mundo traz tom de fábula. A exploração se conecta a uma história emocionante sobre coragem e altruísmo. A ambientação onírica equilibra perfeitamente ação animada, suspense e sentimento. É uma jornada marcante para quem busca uma experiência com coração e nostalgia.

A Mostra Competitiva tem se demonstrado um evento muito interessante para os desenvolvedores de jogos da Amazônia, pois os finalistas são agraciados com passagens, ingressos e suporte para comparecer presencialmente no evento do Acre. E os vencedores recebem incentivos para marcarem presença na Gamescom Latam em São Paulo. Desta forma, eles levam consigo narrativas, mecânicas e estéticas que nascem em territórios entrelaçados por diversidade, floresta, memória e tecnologia. Com informações do site The Gaming Era.






