
Já existe um port nativo de EarthBound e Mother 2 para PC, e ele se chama Phase Distorter. O projeto é do desenvolvedor TheRunaway5, está no GitHub em versão 0.1, ainda em desenvolvimento, e roda em Windows e Linux sem precisar de emulador. Os dois jogos funcionam, tanto o EarthBound americano em inglês e o Mother 2 japonês, cada um com seus próprios arquivos e saves.
Como tantos projetos desta natureza, a ideia é rodar o código do jogo de forma nativa, e não interpretar a ROM em tempo real como faz um emulador comum.
O download, também como projetos como estes, não traz ROM nem recursos extraídos do jogo. Na primeira abertura, o Phase Distorter pede o arquivo da sua cópia, que pode ser indicado por busca, arrastado para a janela ou digitado pelo caminho. O programa valida a ROM, extrai os recursos necessários para a pasta de dados do usuário e já inicia o jogo. Depois dessa importação, o arquivo original nem precisa mais ficar à mão.
Só duas ROMs são aceitas, e ambas precisam ter exatamente 3.145.728 bytes (imagens .smc com cabeçalho extra de 512 bytes também passam):
- EarthBound (EUA), em inglês;
- Mother 2 (Japão), em japonês.
ROMs modificadas, patches de tradução, protótipos e outras revisões ficam de fora nesta versão, o que vale um aviso para quem pretendia jogar o Mother 2 com traduções de fã, incluindo em português brasileiro.
Para jogar, basta baixar o windows-0.1.zip ou o linux-0.1.zip na página do projeto, extrair a pasta inteira (sem rodar de dentro do ZIP) e abrir o Phase Distorter.exe ou o Phase Distorter. No Windows, a SDL2.dll precisa ficar ao lado do executável; no Linux, a pasta lib/ faz o mesmo papel.
Uma melhoria que a comunidade tem aproveitado bastante nestes ports é o suporte a widescreen. Por aqui, dá para escolher entre a proporção original, 4:3, 16:10, 16:9, 21:9, a proporção da própria janela ou um valor personalizado. Segundo o desenvolvedor, o cenário extra aparece nas laterais sem alterar câmera, movimentação, colisão ou regras de aparição de inimigos e outros elementos, então a tela mais larga não ativa personagens a mais nem muda o comportamento do jogo.
Há alguns cuidados específicos. Os padrões de fundo das batalhas e o texto que rola na parede do Lumine Hall se adaptam à tela maior. Menus e HUD ficam centralizados. A imagem de abertura de The War Against Giygas! usa uma área central em 4:3, e a tela do logo do Mother 2 estende o fundo para as margens mantendo logo e copyright no centro. Em mapas mais estreitos que a proporção escolhida, como o túnel de Fourside e a estrada do deserto, a câmera de exibição para nas bordas e entram barras laterais.
Outro ponto pouco comum em projetos de fã é o filtro de fotossensibilidade, que fica em F1 → Display. Ele suaviza efeitos de flash identificados, como animações de batalha e o raio do Franklin Badge, nos dois jogos, sem mexer em cenário, sprites, texto, áudio ou dados de save. Pela linha de comando, a opção é –reduce-flashing.
O próprio autor faz a ressalva de que o filtro é uma implementação independente, inspirada em relançamentos com redução de flashes, que não reproduz os algoritmos da Nintendo, e que ele não garante segurança contra convulsões nem elimina todos os gatilhos. Quem tem sensibilidade a esse tipo de efeito deve levar isso em conta.
O jogo aceita teclado e controle, com o mapeamento seguindo a posição dos botões, e não os rótulos impressos. No teclado, as setas movem o personagem, Z e X correspondem a B e A do SNES, A e S a Y e X, e Q e W aos gatilhos L e R. F1 abre as configurações, F11 liga a tela cheia e Esc fecha a janela de ajustes ou sai do jogo. Com as configurações abertas, o jogo continua rodando, mas a entrada de teclado e controle fica presa na janela.
Se você quiser saber mais, ou testar o projeto, o repositório TheRunaway5/Phase-Distorter, no GitHub, reúne os downloads, as instruções e o código-fonte.







