Mais um ano, mais uma Brasil Game Show. Se bem me lembro, eu participo da BGS desde 2015, quando fui apenas como visitante, e a partir de 2016 como imprensa. Vi e vivi momentos mágicos na maior feira de games da América Latina.

Todos percebemos que, ao longo dos últimos anos, houve uma diminuição tanto no tamanho quanto no peso do evento, demonstrando que a BGS precisa se reinventar.

PROPAGANDA

Não quero me repetir aqui, mas a saída da PlayStation (que estava na BGS, mas apenas com um pequeno estande vendendo camisetas e canecas) e do Xbox, somada a um redirecionamento para um lado, digamos, mais “comercial” da feira, demonstra que algo não está saudável.

Irmãos Piologo são figurinhas carimbadas da BGS

A feira em si

Fui em nome da WarpZone no dia da imprensa, que sempre foi o dia mais tranquilo do evento, pois nesta data apenas a imprensa, os influenciadores e quem pagou pelo ingresso VIP têm acesso. E olha, estava bem movimentado, porém não tem como não apontar aqui que os estandes estavam bem mais longe uns dos outros, com muito espaço aberto para podermos andar de uma área para outra.

Uma coisa que chamou bastante a atenção de muita gente foi a área de alimentação, que este ano estava enorme. A área business e a área disponibilizada para a imprensa também foram ampliadas em relação a 2025.

Agora, a área de fliperama, simuladores e jogos em VR estava enorme. Tinha games de corrida de carro, de moto, alguns games de tiro, um simulador de vomitar (é sério!), e arcades das antigas, nada que não tenhamos visto no passado, apenas numa escala maior.

Muitos simuladores, VR e máquinas de fliperama

Quem estava lá

A SEGA tinha um grande estande, onde os destaques er o novo game Crazy Taxi: World Tour e o Persona 4 Revival, com algumas máquinas disponíveis para testar esses games antes do lançamento.

A galera fez fila pra jogar o Crazy Taxi World Tour

A Nintendo também tinha um grande estande, apesar de não ter nenhum grande anúncio. Havia máquinas com Pokémon Pokopia, Star Fox, EA Sports FC 27, e Mario Kart World, além do Nintendo Switch Sports Resort, anunciado em junho e com lançamento previsto para 2027, jogável no estande.

Ah, o novo Zelda: Ocarina of Time também estava lá, mas apenas em um cartaz gigante e um painel mostrando a evolução da série, que comemora 40 anos. Mas sem o game para testar, ou mesmo um telão rodando um vídeo do novo jogo.

Esse Zelda não era jogável

Charles Martinet que deu voz para Mario e Luigi e hoje atua o embaixador do personagem, também estava lá para tirar fotos e conversar com os fãs.

A Devolver Digital também estava lá com seus games diferenciados, entre os quais posso citar Warhammer 40,000: Boltgun 2, Stronghold 4, Virtue and a Sledgehammer, entre outros disponíveis para testar.

A Square Enix nos surpreendeu com Final Fantasy VII Revelation e Final Fantasy Resonance, que estavam disponíveis para testar antes de seus lançamentos! Essa era uma das maiores filas do dia. Provavelmente a maior atração do evento, que definitivamente chamou muito a atenção do público. Também era possível tirar uma foto em um painel com a Buster Sword do Cloud.

Charles Martinet e o Smoke tiraram um X1 depois dessa foto

A Activision Blizzard esteve presente, no espaço da Monster Energy, com máquinas de Call of Duty: Modern Warfare 4, disponibilizando partidas multiplayer para a galera focada em games de tiro.

Área Indie

Como este ano tínhamos área de sobra, a área indie foi ampliada, pois existiam muitos quiosques de médio e pequeno porte com vários jogos pra galera testar.

Onde posso destacar aqui o pessoal da Ignite Dreams com o seu projeto Bloodfang, anteriormente conhecido como Shattered Fate. Em breve teremos uma matéria especial com o estúdio, onde saberemos mais sobre este promissor jogo.

Ignite Dreams marcando presença na BGS

Cosplay

Ironicamente, quem roubou a cena na BGS 2026 foi a galera do cosplay, que este ano escalou bastante o nível. Aqui vou destacar Diana Fernandes, que estava de Neytiri (Avatar) e ficou em terceiro lugar no campeonato do dia, e Caio Ramos, que estava de soldado da Superterra (Helldivers 2).

Não me entendam mal, mas o cosplay na BGS sempre agregou conteúdo ao evento, além de fazer a alegria da criançada e dos fãs mais velhos. Este ano, porém, pelo menos no primeiro dia, eles foram o carro-chefe da feira.

Distribuindo a democracia gerenciada pelo universo

Lojinhas

Bom, o restante da feira era a praça de alimentação, que ocupava 1/3 do espaço do evento, lojinhas com várias coisas para os nerds e gamers de plantão, e até mesmo uma loja de panelas. Sim, uma loja de panelas.

Tinha outros estandes, mas de periféricos para PC, com muitos mouses, teclados e headsets. Também havia impressoras 3D e muitos action figures, onde posso destacar a loja da Fandom Box, que estava bem grande.

E claro, eu não posso esquecer da loja gigante de souvenirs temáticos da feira, na saída do evento.

Cosplay mandou muito bem na BGS este ano

E por hoje é só pessoal

E não tem mais nada para contar, porque não tem mais nada para se falar da feira. Infelizmente, é notória a queda de qualidade. Sem as grandes Sony e Microsoft, sem conteúdo de outros estúdios (posso citar a Ubisoft e a Capcom, por exemplo), sem marcas relevantes como a Marvel ou mesmo a Samsung, a Brasil Game Show vai precisar realmente se reinventar para ter alguma relevância em 2027. E sim, teremos BGS em 2027, mas, pelo rumo que o evento está tomando, temo que esta seja a última BGS, pelo menos nesse formato grandioso (que não está tão grande assim).

Acredite quando eu digo que foi bem difícil escrever esta cobertura, pois o que eu mais queria era poder enaltecer toda a experiência que uma BGS pode nos proporcionar.

Digo isso porque eu estava lá em 2017 e 2018, considerados os anos de ouro da BGS. Aquela mágica que mencionei no início desta narrativa não está mais lá, e isso é uma pena, uma grande pena, pois um dos poucos lugares onde nós, gamers, nos sentimos acolhidos para vivenciar e compartilhar o hobby que amamos está se desfazendo aos poucos.

A feira está lá, e ela não precisa ser gigantesca como sempre foi, porém precisa de conteúdo, e isso está em falta, muita falta, está sem conteúdo.

Espero realmente nos vermos na BGS 2027, e que minha narrativa mude radicalmente.