Hoje, 18 de setembro, a Tectoy completa 39 anos de história e isso não pode passar em branco aqui na WarpZone, merece uma lembrança cheia de nostalgia.

A empresa nasceu em 18 de setembro de 1987, criada por Daniel Dazcal com a proposta inicial de fabricar brinquedos de alta tecnologia, um mercado que naquela época praticamente ninguém estava explorando no Brasil.

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Compre aqui o livro O Brasil Jogou Sega – A Incrível História da Tectoy, lançado pela WarpZone e escrito por Stefano Arnhold.

Quase quatro décadas depois, é difícil encontrar alguém que cresceu nos anos 80 e 90 por aqui e não tenha uma lembrança ligada diretamente a algum produto dessa empresa, seja um console, um brinquedo eletrônico ou aquele comercial que passava na Globo no meio da tarde.

Tudo começou com um engenheiro

A história começa antes da fundação, Daniel Dazcal era vice-presidente da Sharp no Brasil e decidiu largar o emprego que mantinha havia uma década para trabalhar como consultor na área de eletrônicos.

Durante os quatro meses em que atuou por conta própria, ele saiu procurando setores que ainda não tinham incorporado tecnologia, e foi assim que percebeu que a indústria de brinquedos era exatamente esse terreno vazio. Em vez de bater na porta da Estrela, que dominava mais da metade do setor na época, ele preferiu montar o próprio negócio e chamou o empresário Leo Kryss, da Evadin, para entrar como sócio.

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O primeiro produto foi a pistola Zillion, lançada em maio de 1988, e ela já marcou o início da relação com a Sega. A equipe de marketing da Tectoy convenceu a Rede Globo a comprar os direitos do desenho animado em que o brinquedo aparecia, e o resultado foi um sucesso de vendas que chegou a superar os números do Japão.

Quando a Sega finalmente disse sim

O caminho até o Master System não foi tão automático quanto parece hoje, a Sega vinha de uma experiência ruim nos Estados Unidos, onde a distribuição do console tinha sido confiada à Tonka, uma fabricante de brinquedos, e o resultado foi um fracasso diante do NES.

Os japoneses ficaram desconfiados de repetir o mesmo erro com outra empresa de brinquedos, que era justamente o caso da Tectoy. Kryss ajudou a virar o jogo argumentando que, por não ser uma fabricante de eletrônicos como a Gradiente ou a própria Evadin, a Tectoy conseguiria colocar os videogames como prioridade absoluta.

Deu certo, muito certo, o Master System chegou oficialmente ao país em setembro de 1989 e virou um fenômeno, ajudado por uma campanha publicitária que custou dois milhões de dólares e se estendeu até o Natal daquele ano. A Tectoy fechou 1989 faturando 66 milhões de dólares, sendo que metade disso veio do console da Sega. O Mega Drive apareceu por aqui em dezembro de 1990 e o Game Gear em 1991, tornando-se o primeiro portátil fabricado no Brasil.

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No fim de 1990, os três consoles da Sega garantiam à empresa 70% do mercado brasileiro, e o auge veio em 1994, com 75% de participação e 115 milhões de dólares de faturamento. Vale lembrar que, até 1993, quando a Nintendo desembarcou oficialmente através da Playtronic, a concorrência da Tectoy era formada basicamente por clones de NES e produto contrabandeado. E aqui eu posso falar com propriedade, fui consumidor desses clones, deram um trabalhão.

Um grande diferencial da empresa

O que realmente diferenciou a Tectoy foi a decisão de mexer nos jogos, tudo começou com a tradução de Phantasy Star para o Master System, um processo bem complicado porque a Sega não entregou o código-fonte, o que obrigou a equipe a despejar os dados do cartucho no computador para descobrir o que era código e o que era imagem. Essa experiência mostrou para a empresa que dava para fazer adaptações visuais e até desenvolver jogos próprios.

Daí vieram Mônica no Castelo do Dragão, baseado em Wonder Boy in Monster Land, e Chapolim x Drácula, versão do Ghost House. Depois a empresa partiu para desenvolvimento completo, com Férias Frustradas do Pica-Pau e Show do Milhão no Mega Drive, além dos ports de Street Fighter II para o Master System e Duke Nukem 3D para o Mega Drive. Fora dos consoles, a lista de produtos marcantes é enorme, com o Pense Bem, o Teddy Ruxpin, a Estrelinha Mágica e o Sapo Xulé ocupando a prateleira de brinquedo de muita gente.

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Altos, baixos e uma sobrevida que ninguém previu

Infelizmente Daniel Dazcal faleceu em 26 de maio de 1994, mas paraba nossa alegria Stefano Arnhold assumiu a presidência da Tectoy em agosto do mesmo ano. Porém, três anos depois, a crise asiática derrubou o consumo, os juros dispararam para 43% e redes como Mappin e Mesbla quebraram sem honrar suas dívidas com a Tectoy, o que levou a empresa a pedir concordata preventiva em 9 de dezembro de 1997. O processo só foi encerrado em outubro de 2000, depois de um corte brutal de custos que reduziu o quadro de funcionários de mil para um pouco mais de 100 pessoas.

A empresa ainda lançou o Saturn e o Dreamcast por aqui, apostou em videokê, DVD, tablets e até no Zeebo, que vendeu apenas 30 mil unidades quando a expectativa era de 600 mil e foi descontinuado em 2011, esse deu dó.

Dai teve o Mega Drive 2017, tanta coisa rolou de lá pra cá, e mais recentemente, em 2024, a companhia anunciou a volta ao segmento de games com o portátil Zeenix. E o Master System, aquele mesmo de 1989, segue sendo vendido em versões plug and play, num caso raríssimo de console que atravessou décadas sem sair de catálogo, isso é Brasil!

A história contada por quem viveu

Se essa trajetória toda te interessa, vale dizer que a WarpZone publicou o livro O Brasil Jogou Sega: A Incrível História da Tectoy, escrito pelo próprio Stefano Arnhold. São 128 páginas em formato 15,2 x 23,5 cm, com lançamento em 25 de julho de 2026, durante a RETROCON.

É o primeiro livro dele, no qual revisita em primeira pessoa os bastidores de uma história que mudou para sempre a relação dos brasileiros com os videogames. O Stefano estará presente na Mundo WarpZone dia 31 de outubro agora para o lançamento do seu livro, não perca essa oportunidade.

Trinta e nove anos depois daquele 18 de setembro, o legado continua vivo em cada cartucho guardado na estante e em cada história que a gente ainda conta sobre a época em que o Brasil, contrariando o mundo inteiro, escolheu a Sega.

Compre aqui o livro O Brasil Jogou Sega – A Incrível História da Tectoy, lançado pela WarpZone e escrito por Stefano Arnhold.

O Brasil Jogou Sega – A Incrível História da Tectoy

Não sei você, mas a Tectoy tem um espaço cativo aqui no meu coração.