Para aqueles que estão chegando aos 40 anos em 2020, os convido a fazer uma viagem no tempo. Aos mais jovens, o convite fica para uma reflexão, na medida do possível, adequando à sua realidade de jogador de videogame.

Não é novidade para ninguém que a infância é um período no qual a vida é muito mais simples. Digo isso tendo em mente as preocupações da vida adulta, que carrego hoje comigo junto à rotina de cada dia. Durante a minha primeira década e meia de vida, tudo era mais fácil.

Geração atual de consoles, mais uma dívida do dia a dia

As preocupações passavam longe de pagar o boleto do condomínio, ter saldo na conta corrente para debitar o financiamento imobiliário, conta de luz, água, seguro do carro, enfim. Nada disso era preocupante na vida de criança, pois afinal, é também para isso que os nossos pais serviam. Dito isso, restava para nós, quando crianças, manter notas boas na escola, jogar bola na hora do recreio e, claro, derrotar aquele chefe super difícil no videogame.

Shao Kahn, um dos chefões mais difíceis de bater

Era muito comum o Bullying conosco, jogadores de videogame, embora esse termo ainda não era muito bem difundido. Sempre existiram os valentões para driblar e evitar, principalmente se éramos gordinhos e / ou usávamos óculos. Bem, eu fiz questão de fazer parte da turma que contemplava a combinação completa. Mesmo com todas as adversidades, nada se compara aos obstáculos que temos que enfrentar no dia a dia da vida adulta.

É como dizem, temos que “matar um leão por dia” para sobreviver na selva de pedra. Mesmo assim, ainda hoje reservamos um tempinho para o nosso hobby favorito, jogar videogame. Mas, hoje não somos apenas jogadores, mas também muitos de nós somos criadores de conteúdo sobre jogos, seja ele na forma escrita ou vídeos.

O MiniCastle está lá em MiniCastle.org e também no YouTube

Um fenômeno curioso: em que momento isso veio a tona? Digo isso pois existe uma grande diferença do jogador de videogame que fomos ontem para o que somos hoje. Eu explico: antes a nossa preocupação e alegria era conseguir alugar um jogo diferente na locadora aos finais de semana.

Corríamos para as locadoras às sextas-feiras, na esperança de achar algo legal na prateleira. Tínhamos horas de diversão nos sábados e domingos sem nos preocuparmos com questões mercadológicas, impactos que um possível surto de um vírus mundial iria trazer para a indústria de entretenimento digital, queda ou ascensão das ações do mercado financeiro e nem se a empresa X ou Y iria participar da feira mundial de entretenimento eletrônico. Tudo que sabíamos sobre o combate tecnológico, era que os dois principais concorrentes do início dos anos 1990 tinham uma arquitetura de 16 bits.

A maior guerra de todos os tempos, os consoles 16bits

Seja sozinho com o Joystick na mão em frente a telinha ou com amigos dividindo momentos inocentes de convívio e prazer, nosso barco “velejou” muito e por muito tempo com poucos megabits dentro de um cartucho. Muita coisa mudou de lá para cá e eu faço a indagação: Quando foi que nos tornamos tão chatos?

As possibilidades sempre foram imensas

Eu lembro que na finada revista Ação Games, da editora Abril, em um determinado momento os redatores adotaram um sistema de classificação dos jogos, incluindo o fator diversão. Fator diversão que, ao meu ver, é o ponto chave de um jogo de videogame, empatado com a jogabilidade.

E, do ponto de vista de uma criança, era justamente isso que importava. Hoje em meio a um monte de preocupações que temos na vida adulta, nos resta menos tempo para jogar videogame. Por que passamos tanto tempo analisando e criticando coisas que, antes, não dávamos valor?

Não se enganem! Eu faço parte e não me eximo dessa realidade. Será que não seria melhor termos um olhar infantil, como tínhamos a tempos atrás, e tentar vislumbrar o mundo de possibilidades que estamos prestes a vivenciar em um dado game? De verdade, eu vos indago: Por que será que estamos ficando cada vez mais chatos? Humildemente, convoco vocês leitores, pois eu gostaria de saber a opinião de vocês no espaço de comentários.

Obrigado e até uma próxima!

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