
O criador Nick Bild montou o µTari Go, um Atari 2600 portátil que usa o processador 6507, o TIA e o RIOT originais, sem emulação e sem FPGA, e que ainda traz uma tela CRT de 4 polegadas (cerca de 10 cm) embutida. O projeto está publicado no GitHub sob licença MIT, com lista de materiais e arquivos para impressão 3D do case, e aceita cartuchos de verdade do console.
Segundo o repositório, o coração do aparelho é a placa µTari, projeto anterior do próprio Bild. Ela segue o circuito do Atari 2600, mas encolheu a placa-mãe de aproximadamente 9,75 × 5,25 polegadas (algo como 25 × 13 cm) para 4,7 × 3,5 polegadas (por volta de 12 × 9 cm). O autor conta que já desenhou essa primeira versão pensando numa versão portátil, e por isso trocou chaves e conectores grandes por peças menores e tirou o modulador de RF.
Em lugar do modulador, a saída é de vídeo composto, gerada por um circuito de um transistor e dois resistores. Os três chips que fazem o console funcionar continuam lá:
- 6507: o processador;
- TIA (Television Interface Adapter): cuida de gráficos e áudio;
- 6532 RIOT: reúne RAM, entrada e saída e o temporizador.
A escolha de uma tela CRT plana de 4 polegadas deixa o aparelho bem maior do que ficaria com um LCD, e o próprio Bild admite isso. Ele diz que o sacrifício vale a pena, já que o tipo de display fica mais perto do que o Atari 2600 usava na época. Há ainda um ganho técnico: o vídeo composto da placa vai direto para a tela, sem nenhuma conversão digital no meio do caminho.
Tudo o que é preciso para jogar vem no corpo do aparelho, sem joystick externo:
- Controles: sete botões, sendo quatro sob um D-pad impresso em 3D e três dedicados a FIRE, SELECT e START. Eles se ligam direto ao hardware, então o Atari trata esses botões como as chaves e o joystick de um console comum. Foi para isso que o autor trocou as portas de controle da placa original por pinos de conexão.
- Cartuchos: o encaixe usa um conector de borda Sullins EBC12DRTH, instalado dentro do case.
- Áudio: o som sai por um amplificador PAM8302 e um alto-falante de 8 ohms, atrás de uma grade na traseira.
- Energia: entra 12V por um conector DC padrão de 2,1 mm, que alimenta o CRT diretamente. Um regulador Pololu D45V5F9 abaixa a tensão para 9V na placa µTari.
Um detalhe que vale mencionar: o projeto descreve apenas essa entrada de 12V e não fala em bateria, então, pelo que está documentado, o “portátil” aqui significa que apenas que o console cabe nas mãos, mas que ainda depende de uma fonte externa para ser levado a qualquer lugar.
O conjunto fica dentro de um case impresso em 3D, com carcaça frontal e traseira e suportes internos para display, botões, conector de energia e cartuchos. Os arquivos estão na pasta models do repositório. A lista de materiais reúne a placa µTari, o display, o amplificador, o alto-falante, os sete botões, o regulador, o conector de energia, o conector de cartucho e parafusos M2 de vários comprimentos.
Quem quiser ver o aparelho funcionando pode recorrer ao vídeo que o autor publicou no YouTube. E quem quiser saber mais, é só visitar a pagina do projeto no GitHub.








