Blake Orama, uma alusão clara ao ex-presidente Barack Obama, está discursando quando as luzes se apagam e ele é raptado. O grupo terrorista conhecido por Ninja Dragons logo vem à TV e assume a autoria do crime. A exigência? 1 Trilhão de dólares para devolvê-lo vivo. E agora, quem poderá salvar o presidente?

Mas antes de consultar o gerente do banco para saber como fará um saque tão grande, o prefeito de Beatdown City terá a ajuda de três carismáticos personagens para tentar encontrar e resgatar o refém. Lisa Santiago é boxeadora e a filha do chefe de polícia; Bruce Maxwell é um lutador de capoeira e trabalha como corretor; e por último, temos o líder comunitário e profissional de luta livre, Brad Steele.

No início da produção, Obama ainda era presidente dos Estados Unidos

INOVANDO NO GÊNERO

A frase “Winners don’t mash buttons” (vencedores não esmagam botões), logo ao iniciar o game, já nos mostra que estamos diante de um tipo diferente de beat’em up. O personagem caminha por um mapa – que lembra um jogo de tabuleiro ou o mapa de Super Mario Bros. 3 – e enfrenta seus inimigos conforme vão aparecendo em seu caminho.

Ao se deparar com um oponente, a tela muda para uma visão mais comum em jogos de briga de rua e a ação começa. Contudo, se você estava pensando em “esmagar os botões” para bater nos bandidos e seguir seu caminho sem ter que usar um pouco da sua massa encefálica, pensou errado. E é aqui que Treachery in Beatdown City brilha.

Você vai precisar usar tanto o ataque quanto a defesa, bem como golpes especiais usando o máximo de estratégia que conseguir. Ao encontrar um inimigo, uma caixa de diálogo se abre revelando algumas opções, no melhor estilo Final Fantasy, mais precisamente o sexto jogo, lançado para SNES.

A combinação de ações entre atacar, defender, agarrar e golpes especiais consomem FP (Fighting Points) e elas são algumas das várias opções que são habilitadas durante a jogatina. Essa variedade de possibilidades, mesmo com algumas batalhas se tornando repetitivas, garante um desfecho diferente de acordo com o modo de jogar de cada um.

Você terá que administrar bem o seus FPs para se dar bem na jornada

PANCADARIA E MUITO HUMOR

Como se não bastasse nos apresentar a um sistema divertido e inovador, a NuChallenger, empresa fundada por Shawn Alexander Allen, e que contou com apoio de jogadores do mundo todo em seu Kickstarter desde 2014 (por isso a referência ao Obama, que foi presidente dos EUA de 2009 a 2017), nos entrega uma comédia inteligente, sarcástica e, às vezes, um pouco ácida.

De referência histórica a comentários sobre a aparência dos personagens, o game vai causar aquele sorriso no canto da boca do jogador no segundo em que sacar algumas dessas piadas, que podem passar despercebidas em alguns momentos por serem recorrentes ao longo da história e não possuírem tradução para o nosso idioma.

Um bom exemplo de como a comédia é bem utilizada são os momentos em que os nomes dos personagens mudam de acordo com o contexto das conversas que estão rolando.

Ugly (feio) John pode se tornar Clueless (inocente) John conforme o contexto

VALE A PENA CONFERIR

O sistema inovador de estratégia em um jogo de briga de rua é uma boa pedida para quem procura um game divertido, desafiador e que não leva muito tempo para terminar, afinal, se a recepção for boa, estamos diante do primeiro episódio dessa nova saga.

Com lançamento para SwitchPC (a versão de PS Vita foi cancelada) no dia 31 de março de 2020, Treachery in Beatdown City é um game que deve agradar tanto a fãs do gênero beat’em up quanto aos que curtem RPG.