Recentemente, a WarpZone divulgou um curso muito interessante e de extrema importância para a cultura gamer.

Esse curso gratuito se trata da Arqueologia dos Jogos na Era do Atari, que está sendo desenvolvido por um grupo de pesquisas do CNPq coordenado pelo prof. Dr. Alex Martire e será ministrado por ele junto à prof. Ma. Amanda Viveiros, ambos da Universidade de São Paulo-USP.

A WarpZone conversou com o prof. Alex e trouxe informações detalhadas sobre o curso. Acompanhe a entrevista logo abaixo:

Como e quando surgiu a ideia do curso?

[Alex Martire] O curso é uma oferta do Grupo de Pesquisa CNPq que coordeno denominado ARISE – Arqueologia Interativa e Simulações Eletrônicas. O grupo é vinculado ao Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. Nosso grupo tem por objetivo analisar a cultura material arqueológica presente em jogos digitais, bem como desenvolver arqueojogos (jogos digitais com temática arqueológica).

O nosso primeiro arqueojogo, disponibilizado gratuitamente em nosso site, foi lançado ano passado e se chama “Sambaquis – Uma História antes do Brasil”: é um jogo sobre um campo bastante fértil na arqueologia brasileira, a arqueologia dos povos sambaquieiros, que habitaram o litoral brasileiro há mais de 3 mil anos. O game foi desenvolvido na Unity e fazendo uso do Maya para trabalhar os modelos.

Além das análises e produções de games, temos por foco também a difusão do conhecimento arqueológico produzido na Academia para o público geral: foi assim que surgiu a ideia de nosso curso sobre Arqueologia na Era do Atari. O curso visa disseminar um campo de pesquisa recente na arqueologia denominado Archaeogaming, ou seja, a relação da Arqueologia com os Jogos Digitais: essa área estuda os jogos (seja a mídia deles, seja o jogo em si) como artefatos arqueológicos – em outras palavras, como objetos produzidos por seres humanos carregados de significado e com funções dentro dos campos sociais, políticos e econômicos.

Devido ao fato de o Atari ter sido um dos primeiros videogames, pensamos o curso a fim de mostrar ao público como esse console lendário está ligado, também, à arqueologia. A nossa ideia é explorar assuntos que vão desde “O que é arqueologia?”, até a escavação do aterro sanitário nos EUA em 2014, onde encontraram vários cartuchos do jogo “E.T.”, corroborando a “lenda urbana” de que a Atari teria descartado sua produção devido às baixas vendas. Também iremos explorar os aspectos sociais dos jogos dessa época, por exemplo, como as mulheres eram vistas em relação ao mundo dos games, e também como as casas estadunidenses foram se adaptando para receber esses novos aparelhos eletrônicos de lazer.

Por fim, cabe ressaltar que também analisaremos os aspectos físicos do console em si, bem como a programação de seus jogos (que era muito diferente daquela dos jogos atuais). Desse modo, iremos “escavando” as camadas culturais relacionadas ao console Atari.

Quais são os professores envolvidos e suas relações com jogos?

[Alex Martire] Os professores envolvidos são eu e a Amanda Viveiros. Sou Doutor em Arqueologia pela USP e no momento realizo Pós-Doutorado na UFMG. A Amanda é mestra em arqueologia pela UFPA e realiza seu Doutorado na USP. A nossa relação com jogos vem da infância mesmo. Eu sou da época do CCE Supergame e, desde então, jamais parei de jogar. A Amanda é mais jovem, ela não pegou essa fase de “jogos quadrados”, mas também joga desde criança e desenvolveu o Mestrado (e vem desenvolvendo o Doutorado) nessa área de jogos eletrônicos e arqueologia.

O curso vai ser gravado e disponibilizado de alguma forma?

[Alex Martire] O curso será apenas online. Por questões internas, ele será apenas ao vivo, sem gravação.

Precisa de algum pré-requisito para o aluno?

[Alex Martire] O único pré-requisito é ter curiosidade sobre o mundo do Atari! O curso é de difusão, então é aberto a todos.

Reforçando que as inscrições para o curso são gratuitas e feitas exclusivamente pelo e-mail [email protected], até o dia 10 de setembro, com direito a certificado pela USP.