Dia D, novo filme de Steven Spielberg, batizado originalmente de Disclosure Day, aborda a revelação de todos os segredos sobre a existência de alienígenas guardados por quase 100 anos. No centro da trama está a personagem de Emily Blunt, uma jornalista escolhida pelos próprios extraterrestres para transmitir uma mensagem à humanidade.

No dia do lançamento do filme, o Departamento de Guerra dos EUA liberou a terceira leva de arquivos relacionados a OVNIs — e alguns crentes mais extremistas estavam convencidos de que o lançamento de Dia D fazia parte de um plano maior para que formas de vida alienígenas se revelassem pela primeira vez.

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Ficção ou não, o timing é perturbador. E enquanto o mundo discute governos, segredos e inteligências não humanas, vale lembrar: os extraterrestres já estiveram nos nossos videogames há décadas. Às vezes com muito estilo. Às vezes de forma catastrófica.

Diretor Steven Spielberg

A TRILOGIA ALIENÍGENA DE SPIELBERG — E O CRIME CONTRA O ATARI

Em quase cinquenta anos de carreira, Spielberg abordou extraterrestres sob ângulos distintos: a espiritualidade de Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), a ternura doméstica de E.T. — O Extraterrestre (1982) e o horror de invasão de Guerra dos Mundos (2005). Agora Dia D fecha esse ciclo com uma virada: a existência dos aliens não é mais mistério — o conflito real é saber o que fazer com a verdade que foi escondida.

Mas voltemos a 1982. A Atari pagou cerca de 22 milhões de dólares pelos direitos do filme E.T., e contratou o programador Howard Scott Warshaw para criar o jogo — com apenas cinco semanas de prazo, quando o normal seria de seis a oito meses. Spielberg chegou a sugerir ao desenvolvedor: “Não é possível fazer algo mais parecido com Pac-Man?” Warshaw recusou. Queria fazer algo digno do filme.

O resultado foi o maior desastre da história dos videogames. Dos mais de 4 milhões de cartuchos fabricados, 3,5 milhões voltaram encalhados ou devolvidos. Em 1983, entre 10 e 20 semirreboques transportando caixas da Atari descarregaram todo o material num aterro sanitário em Alamogordo, Novo México, onde foi compactado e enterrado. Por décadas a história foi lenda urbana — até que em 2014 uma escavação pública confirmou tudo. Os cartuchos estavam lá, cobertos de concreto no deserto americano.

Um enterro digno de operação secreta do governo. Irônico, considerando o que Dia D revela sobre o que mais foi escondido naquele mesmo país.

OS ALIENS QUE SOBREVIVERAM AO NINTENDINHO, MASTER SYSTEM E MEGA DRIVE

Enquanto a Atari afundava, outros consoles receberam extraterrestres com muito mais dignidade.

Alien 3 (1992) chegou ao Mega Drive e ao NES com a missão de resgatar prisioneiros antes que o xenomorfo os alcançasse. A versão Mega Drive é notavelmente boa — atmosfera pesada, ritmo acelerado, fiel ao clima sufocante do filme de David Fincher.

Alien Syndrome, clássico do arcade portado para o Master System, colocava o jogador resgatando reféns em naves infestadas. Simples, direto e viciante — um dos melhores ports que o console da Sega recebeu.

Predator chegou ao NES pela Activision em 1987, logo após o filme com Arnold Schwarzenegger. E no Mega Drive, Predator 2 melhorou a receita com mais ação e visual compatível com a geração.

Fonte: Canal Jornada Gamer

O CÍRCULO SE FECHA

Há algo perturbador e poético nessa conexão toda. O mesmo Spielberg que enterrou um jogo no deserto agora lança Dia D — um filme sobre o que os governos enterraram. Spielberg revolucionou a maneira como as pessoas pensam sobre a vida alienígena. Antes de Contatos Imediatos, os encontros com extraterrestres eram amplamente representados como experiências hostis. Spielberg foi o primeiro a sugerir que o contato poderia ser uma experiência positiva.

Quarenta e quatro anos depois, ele volta ao tema — desta vez sem fazer a pergunta “eles existem?”, mas sim: o que acontece quando a verdade não pode mais ser contida?

Os pixels de 1982 já tentavam responder. O deserto do Novo México guardou o segredo por trinta anos. E agora Dia D abre o aterro de vez.