
Julho de 1994. O Brasil acabou de ser Tetracampeão numa final decidida nos pênaltis, numa tarde que parou o país. E enquanto a cidade ainda explodia em fogos e buzinas, lá dentro — ou na locadora da esquina — a mesma geração que gritou com Taffarel e Romário pegava o controle e tentava repetir o feito nos videogames. Era a era de ouro do futebol virtual nos consoles, e as opções nunca foram tão boas.
O MASTER SYSTEM ABRIU O CAMPO
Super Futebol — também conhecido internacionalmente como Great Soccer ou World Soccer — provavelmente é o game mais lembrado pelos fãs brasileiros, lançado pela Sega em 1987 para o Master System. Em 1990 veio o sucessor: Super Futebol II — lançado aqui com esse nome, mas conhecido no exterior como World Cup Italia ’90 — trouxe uma visão aérea com direito a 30 times de seleção e uma disputa por pênaltis que era um show à parte. Foi o primeiro contato de muita gente com futebol de videogame de verdade. Havia ainda o Super Kick Off, considerado por muitos o melhor game de futebol da época no Master System — o primeiro a dar nome aos jogadores e a trabalhar atributos individuais.
O MEGA DRIVE E A CHEGADA DO FIFA
Foi no Mega Drive que o futebol virtual ganhou escala. Em 1993, a EA Sports lançou FIFA International Soccer com câmera isométrica que parecia impossível para a época — dava sensação real de profundidade de campo. O FIFA 95 e o FIFA 96 dominaram as locadoras na sequência. Mas o Mega Drive ainda guardava outra pedra: Pelé Soccer (1994), produzido pela Sega com o nome do Rei como escudo, com clima perfeito para o ano do Tetracampeonato.
O SUPER NINTENDO
No Super Nintendo, Super Soccer chegou quase no lançamento do console e mostrou do que a máquina da Nintendo era capaz. Mas o jogo que definiu uma geração tem nome próprio: International Superstar Soccer, o ISS da Konami. Lançado originalmente para o Super Nintendo em novembro de 1994 no Japão e maio de 1995 nas Américas, o jogo virou febre no Brasil e serviu de origem para a franquia Pro Evolution Soccer, que recebe novos capítulos até hoje.
Em 1995 veio a versão definitiva: International Superstar Soccer Deluxe — uma lenda por sua jogabilidade profunda, gráficos detalhados e ritmo viciante. A versão Mega Drive chegou em 1996 — o “Superstar Soccer 96” que ficou gravado na memória de tanta gente. Os jogadores tinham nomes fictícios — Allejo, Guebes, Da Silva — sem licença para os reais. Todo mundo sabia quem era Allejo. Ninguém precisava dizer. E havia o segredo mais amado da era 16 bits: digitando o Konami Code na tela de apresentação, o árbitro se transformava em um fofo cachorrinho correndo pelo campo. Era passado de boca em boca, na escola, na locadora, no recreio.
FIFA OU ISS? A BRIGA QUE NUNCA ACABOU
O FIFA tinha a licença, os estádios reais, os nomes corretos. O ISS tinha a alma. A revista Placar de julho de 1996 comparou os dois: “O ISS tem gráficos excelentes e continua uma coqueluche. Dribles e comemorações são algumas das novidades. Até a pirueta que virou marca registrada de Cafu foi incorporada ao game.” No Brasil, alma sempre pesou mais. Praticamente todos na vizinhança possuíam cartuchos piratas ou jogavam com cópias alugadas nas famosas locadoras dos anos 1990. E quando você conseguia alugar o ISS Deluxe, a tarde inteira era dele.
Aquela geração não sabia que estava jogando a pré-história do PES. A partir do PlayStation 2, a Konami adotou o nome definitivo de Pro Evolution Soccer — e o PES só existe por causa do ISS. Cada gol do Allejo, cada tarde de locadora com controle na mão estava pavimentando trinta anos de futebol virtual. A Copa do Mundo passava na TV. A gente jogava no videogame. E de alguma forma, as duas coisas viraram a mesma lembrança.











