Lembrar dos fliperamas da década de 80 e 90 estimula o sistema nervoso sensorial de quem viveu essa realidade em praticamente todos os sentidos. Aquela visão das máquinas e seus jogos nos tubos de raios catódicos; o cheiro do ambiente que mais frequentávamos, fosse num bar ou num salão de arcades; o tato, a pegada nos manetes e a consistência com que batíamos nos botões do controle; a força e as torções aplicadas nos volantes e manches; os sons, aquele ambiente misturando o barulho de várias máquinas, destacando-se, pelo impacto sonoro, alguns inesquecíveis como das máquinas Robocop, Moonwalker, After Burner e o querido Golden Axe.

Os gabinetes com marcas Data East, Capcom e Sega chamavam muito a atenção. Já eram marcas conhecidas para quem frequentava os fliperamas ou jogava seu Nintendinho ou Master System em casa. Sem contar os gabinetes “genéricos” que tanto tivemos no Brasil, que chamávamos de fliperama de bar/boteco ou de rodoviária.

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Para crianças e pré-adolescentes, os ambientes que tinham máquinas de fliperamas (e aqui estou me referindo aos flipers e os arcades), não eram bons locais a se frequentar, principalmente sob a visão dos pais. Mas eram justamente as crianças e adolescentes que ficavam boquiabertos com os jogos dos arcades. E alguns desses jogos, sem dúvidas, eram os da SEGA.

Oriunda da distribuição de máquinas caça-níqueis lá nos anos 50 e 60, a SEGA esteve entre as cinco maiores produtoras de Arcades dos Estados Unidos no começo da década de 80 e, entre altos e baixos, nos trouxe jogos memoráveis principalmente nas décadas de 80 e 90. Clássicos da SEGA marcaram toda uma geração que se via ansiosa para jogar naqueles gabinetes bonitos e muito bem-produzidos. Jogos em gabinetes parrudos e avançados como Out Run (1986), Hang On (1985), Thunder Blade (1987) e After Burner II (1987) eram hipnotizantes. Motocicletas, cockpits com volantes e manches de avião traziam experiências que proporcionavam uma imersão especial. After Burner II foi surpreendente e é muito legal de se jogar até hoje.

Vale destacar que os gabinetes distribuídos no ocidente eram diferentes dos japoneses. Conhecidos como City, AeroCity e depois AstroCity, os gabinetes da SEGA no oriente foram marcantes e viraram referência, com suas telas grandes e gabinetes brancos seguindo um belo padrão. E não é que a SEGA lançou uma versão comemorativa em miniatura desses gabinetes? o AstroCity Mini, com 36 jogos na memória. Uma bela homenagem para os dias de hoje.

Focando em minhas experiências, algumas foram inesquecíveis, mas um dia foi muito especial: O dia que conheci a tenda de fliperamas Playland no Playcenter em São Paulo – Capital. Talvez não tivesse ainda o nome Playland, não tenho certeza. O parque de diversões tinha muitos brinquedos tradicionais como roda gigante, montanha russa, barco viking, etc. Mas foi a tenda de fliperamas que maravilhou aquele pequeno garoto em seus aproximados 10 anos de idade. Dois choques iniciais, primeiro o tamanho da área e a quantidade de máquinas no local. E segundo, aquela cabine do jogo After Burner II da Sega, que se mexia todo conforme alguém jogava dentro dela.

Boa parte dos fliperamas ali do Playcenter eram originais. Conheci os jogos After Burner II e Shinobi (1987) nessa primeira oportunidade. Provavelmente foi em 1988 ou 1989. Morando no interior do estado, íamos de excursão para o parque uma vez por ano. As sensações e os impactos que uma criança recebe, quando marcantes, alimentam as lembranças pelo resto da vida. Em outras oportunidades, o ponto dos fliperamas passou a ser local obrigatório e um dos mais importantes a cada visita.

Golden Axe (1989), E-Swat (1989), Super Monaco GP (1989) e Moonwalker (1990) foram outros jogos que conheci e marcaram muito na época, boa parte do dia no parque se passaram na companhia de amigos nessas máquinas maravilhosas de 16-bit da SEGA. É claro que muitos desses jogos também acabei jogando em outros locais e boa parte deles se tornaram meus “fliperamas favoritos”. Ali, no parque, a segurança era maior e podíamos frequentar tranquilamente sem nossos pais ficarem preocupados por estarmos nos fliperamas.

Alguns jogos da SEGA, e destaco o Golden Axe, eram facilmente encontrados em botecos e salões de fliperamas espalhados pelas cidades do país, nem sempre originais, mas faziam a alegria da garotada da mesma forma.

O Mega Drive conseguiu trazer um pouco disso para casa, mas nem todo jogo era idêntico ao arcade, e isso também era interessante, pois se complementavam em termos de experiência. Claro, vale citar o querido Master System também trouxe títulos de arcades, mesmo com suas limitações de 8 bits.

Revisitar os jogos de arcade da SEGA é sempre uma experiência saudosista muito boa, principalmente se conseguir alguém para jogar em modo cooperativo os tantos ótimos jogos que permitem essa modalidade como: Alien Storm, Golden Axe, E-Swat, Altered Beast e Moonwalker. Tirar uma tarde para jogar os arcades da SEGA pode ser um ótimo programa retrô. Jogue mais.